O SAMU e a sua burocracia - Agora Já -

O SAMU e a sua burocracia

27 de abril de 2018

A burocracia brasileira existe desde que o Brasil se tornou colônia de Portugal e apesar de, ligarmos o termo a tudo que atrasa nossa vida nos diversos departamentos e repartições públicas, seu significado vai além disso.

Basicamente, essa terminologia sinaliza a compilação de normas e regulamentos que buscam uma ordem racional na gestão e na distribuição dos seus assuntos. Sua derivação é proveniente do francês bureaucratie, cuja raiz é bureau (“oficina”).

Todavia, entende-se também por burocracia o conjunto dos funcionários públicos e seus derivados, e é neste contexto que assume uma conotação negativa, em virtude das formalidades e papeladas exigidas nos assuntos públicos.

Pois bem, iniciei o presente texto fazendo rodeios para chegar ao ponto de uma burocracia que não só atrasa, como também pode custar a vida de um cidadão que esteja esperando por um serviço imediato.

Caro leitor, talvez você já deve imaginar do que estou falando, mas se não sabe, eis que se trata da burocracia no atendimento do SAMU. Isso mesmo, o atendimento móvel que quando solicitado deve agir instantaneamente, porque qualquer minuto a mais ou a menos na vida de quem precisa, é decisivo.

Criado em 2003, como parte da Política Nacional de Atenção a Urgências, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), foi designado para realizar o atendimento de urgência e emergência em qualquer lugar: residências, locais de trabalho e vias públicas. O socorro começa com a chamada gratuita, feita para o telefone 192, no qual a ligação é atendida por técnicos que identificam a emergência e transferem o telefonema para um médico, que faz o diagnóstico da situação e inicia o atendimento no mesmo instante, orientando o paciente, ou a pessoa que fez a chamada, sobre as primeiras ações.

De acordo com a situação do paciente, o médico pode orientar a pessoa a procurar um posto de saúde, enviar ao local uma ambulância com auxiliar de enfermagem e socorrista ou uma UTI móvel, com médico e enfermeiro. Ao mesmo tempo ele avisa sobre a emergência ao hospital público mais próximo para que a rapidez do tratamento tenha continuidade.

Toda essa descrição é muito interessante e eficiente no papel, porém, todos os dias, em algum lugar do país, ouvimos noticiários sobre acidentes ou outras situações que demandam atendimento de urgência ou emergência, as quais, em muitos casos, independente do local, temos o mesmo desfecho: a demora no atendimento do SAMU. Circunstância derivada de uma determinação incabível, visto que, ao solicitar o serviço, é feita uma intermediação telefônica da central com a unidade presente no município ou imediações da vítima.

Confesso que já tentei encontrar algum fundamento nisso, mas até hoje não encontrei. Se tem uma unidade do SAMU no município em que estou, porque preciso ligar em uma central para requisitar o serviço? Será que não existe a possibilidade de disponibilizar uma central responsável ligada a cada unidade? Quantos atendimentos deixam de ser acolhidos com maior celeridade por causa dessa burocracia?

Obviamente não são poucos. Em nossa cidade mesmo, constantemente lemos ou ouvimos relatos desse tipo de episódio que coloca em risco a vida de quem precisa do atendimento. Não estou aqui levantando nenhum parecer acerca do trabalho realizado pelos profissionais do SAMU, que por sinal, o desempenham com afinco e responsabilidade, a questão se restringe exclusivamente a burocratização na hora de solicitar o atendimento.

No entanto, essa semana li uma notícia de que uma vereadora panambiense realizou uma reivindicação sobre o assunto SAMU e essa postura me deixou satisfeita, porque é exatamente disso que precisamos: agentes públicos, que tem maior poder de ação, tomando partido de temas tão importantes para a população.

Esse problematização do SAMU precisa ser cada vez mais questionada, discutida e revista, para que o serviço seja pontual e ágil, atendendo com dignidade e respeito quem precisa.

Finalizo parafraseando Marie von Ebner-Eschenbach: “Burocracia é a arte de transformar o possível em impossível.”


(55) 3375-8899, (55) 99118-5145, (55) 99119-9065

Entre em contato conosco

Copyright 2017 ® Agora Já - Todos os direitos reservados