Contrato do centroavante com o Grêmio prevê renovação automática caso dispute o Mundial por Brasil ou Portugal
Foto: Na última partida pelo Brasileirão, Carlos Vinícius fez três gols contra o Botafogo.
Duda Fortes / Agencia RBS Artilheiro do Brasil neste começo de temporada, Carlos Vinícius vive a expectativa de jogar a Copa do Mundo de 2026. Embora mantenha os pés no chão quando fala do bom momento com a camisa do Grêmio, não esconde que gostaria de receber uma ligação do técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti.
— Aí seria top, para fechar com chave de ouro — comenta o centroavante, em entrevista exclusiva ao ge.
Com nove gols em nove jogos neste ano, o jogador veio para o Grêmio também de olho em uma oportunidade na Copa.
Inclusive, no contrato com o Tricolor, consta uma cláusula que prevê renovação automática para 2027 caso dispute o Mundial por Brasil ou Portugal, país pelo qual está naturalizado e onde despontou para o futebol a partir de 2017. O vínculo atual com o clube gaúcho vai até o fim de 2026.
Após deixar o Fulham, da Inglaterra, Carlos Vinícius estava livre no mercado quando assinou com o Grêmio, em julho do ano passado. Não demorou a cair nas graças da torcida. Com a lesão de Braithwaite, ocupou de vez o comando de ataque e fez 12 gols nas 14 partidas que participou. Ao todo, soma 21 em 23 jogos.
Para o artilheiro, a fase especial se deve também ao extracampo. Depois de oito anos na Europa, o maranhense está de volta ao país natal e se sente em casa novamente, pela forma como foi recebido em Porto Alegre.
— Logo nos meus primeiros dias, o pessoal me deixou muito à vontade. A minha família se adaptou muito rápido. Quando as pessoas te abraçam fora do campo, lá dentro do campo as coisas correm bem porque começa a ter conexões com as pessoas — ressalta.
Sonhando com a Seleção, o artilheiro do Grêmio foi observado por Carlo Ancelotti no estádio em duas oportunidades: na vitória gremista sobre o Atlético-MG por 3 a 1, na Arena do Galo, em agosto do ano passado, e na derrota para o Fluminense por 2 a 1, no Maracanã, na estreia do Brasileirão desta temporada, há duas semanas.
— Para mim é muito tranquilo e simples. O ponto mais alto para o profissional de futebol é defender a sua seleção. Tenho o entendimento de que tenho que focar 100% no clube, porque sei que isso vai me abrir essa porta — avalia.
Com passagens por clubes como Benfica, Monaco, Tottenham, PSV, Galatasaray e Fulham, Carlos Vinícius colhe aos 30 anos os frutos de uma decisão tomada ainda na base. Começou a jogar como meia e desceu para volante e zagueiro, mas, graças a Marcos Valadares, na época técnico da base do Palmeiras, tornou-se centroavante.
— Eu peguei um treinador que dizia que jogadores acima de 1,85m tinham que jogar do meio para trás. No sub-17 do Santos joguei de meia, depois fui volante e, no Palmeiras, joguei de zagueiro. Nos últimos seis meses de sub-20, o Marcos Valadares, que eu gosto sempre de destacar, me passou para centroavante — lembra Vinícius.
A inspiração para o jovem Carlos Vinícius foi Ronaldo Fenômeno, até hoje uma referência para o centroavante.
— O Ronaldo fez tudo e mais um pouco, que só os fenômenos conseguem fazer — define.
Após passagens rápidas por Caldense e Grêmio Anápolis, Carlos Vinícius se transferiu para o Real SC, de Portugal. Entre 2019 e 2020 viveu a temporada mais artilheira da carreira até agora, pelo Benfica, com 24 gols em 47 jogos. Agora, em cerca de um mês de futebol em 2026, tem mais de um terço desses gols pelo Grêmio.
A volta para o Brasil em 2025 serviu para realizar o sonho de disputar o Brasileirão pela primeira vez na carreira. Com pouco mais de seis meses de retorno, Carlos Vinícius já consegue avaliar os pontos positivos e as diferenças entre o Brasileirão e outras ligas do mundo.
— É uma competição de alto nível. A liga vem crescendo muito e chamando a atenção de grandes jogadores. O Brasileirão tem uma grande qualidade técnica. Obviamente que, em alguns momentos, precisa de uma certa intensidade, se compararmos com a Premier League, mas é um grande campeonato — analisa.
Segundo ele, na Premier League, quando acaba os 90 minutos, vida normal. Aqui no Brasil não, o jogo continua.
— É essa paixão que move o país, a paixão pelos seus clubes — pontua, sobre a torcida brasileira.
Com passagem até o momento curta, mas já cheia de momentos marcantes pelo Grêmio, Carlos Vinícius segue com postura humilde, avesso a comparações dele com outros atletas, a exemplo de Luís Suárez, que brilhou no Grêmio em 2023.
— O Suárez não tem comparação, não tenho nem para amarrar a chuteira dele. Respeito cada um que passou por aqui, mas faço meu trabalho quieto — diz ele, em tom bem-humorado.
Ele prefere manter a mira no próximo jogo – neste caso, contra o São Paulo, no Morumbi, na noite desta quarta-feira (11). O alvo, porém, é maior e inclui passagens para Estados Unidos, México e Canadá. E não é para ser espectador.
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