Advogado diz que Cristiano Domingues Francisco reitera inocência
Foto: Cristiano Domingues Francisco, suspeito do desaparecimento de família em Cachoeirinha, reafirma inocência
Foto : Arquivo Pessoal / CP O advogado do policial militar Cristiano Domingues Francisco, suspeito de participação no desaparecimento de três pessoas da mesma família em Cachoeirinha, estima ter reunido oito testemunhas em sua defesa. Conforme Jeverson Barcellos, as oitivas devem começar na próxima semana, apontando que nos dias 24 e 25 de janeiro, quando as vítimas sumiram, seu cliente estava em compromissos pessoais. Ele segue preso temporariamente.
Jeverson Barcellos diz que, no período dos desaparecimentos, o PM estaria ocupado em compromissos de sua atual companheira, com quem é casado desde 2022, e de seu filho do antigo relacionamento. “Creio que vamos reunir cerca de oito pessoas, entre amigos e conhecidos, no intuito de comprovar que ele estava em outros locais na época dos fatos. Em uma das ocasiões, Cristiano acompanhava o filho em uma festa infantil. Noutra, estava em um bar com sua esposa”, pontua.
O advogado segue sem ter acesso aos autos do processo. Ele aponta que Cristiano e sua companheira, tratada como testemunha, cooperam com as investigações, mas evita opinar sobre o motivo da dupla não ter fornecido a senha de seus celulares apreendidos. “Não tenho como me posicionar, pois não falei com eles sobre isso”, afirma.
Barcellos confirma que o filho de Cristiano está sob os cuidados da avó paterna. A Polícia Civil indica que, 15 dias antes do desaparecimento, Silvana procurou o Conselho Tutelar, relatando que o menino teria intolerância à lactose e que Cristiano ofereceria alimentos que estão fora de sua dieta. A família de Cristiano alega não saber de tais restrições e, também, teria laudo contestando tal diagnóstico.
“A Polícia Civil avalia esse elemento como possível motivo de discordâncias entre Cristiano e Silvana. Posso dizer que a família de Cristiano desconhece as supostas restrições alimentares. Além disso, me parece que isso não seria motivo suficiente para o cometimento de crime”, avalia Jeverson Barcellos.
As vítimas moravam no bairro Vila Anair, onde também administravam um minimercado. De acordo com o líder comunitário Luiz Henrique Fonseca Júnior, conhecido como Pensador, havia atrito entre as partes. Os motivos, também segundo Pensador, estariam relacionados a questões financeiras e ao filho do casal.
“Os idosos chamavam o Cristiano de ‘coisa ruim’. Eles o detestavam, por causa das disputas dele com Silvana pela guarda do filho. Além disso, a Silvana ficou em posse de um terreno após o divórcio, e Cristiano desejava que essa propriedade fosse vendida, para ficar com parte do valor, o que não ocorreu”, diz Pensador.
Jeverson Barcellos destaca que não tem conhecimento das supostas desavenças. “Cristiano não comentou nada nesse sentido”, pondera o advogado.
O PM segue recolhido no Batalhão de Operações Especiais (Boe) da Brigada Militar, em Porto Alegre, desde o dia 10 de fevereiro. Antes disso, atuava no 15º BPM, em Canoas.
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