Gravação de câmera, TV levada e celular coberto: veja novos detalhes da polícia sobre família desaparecida há mais de 1 mês - Agora Já -

Gravação de câmera, TV levada e celular coberto: veja novos detalhes da polícia sobre família desaparecida há mais de 1 mês



Silvana Germann de Aguiar e seus pais, Isail e Dalmira, estão desaparecidos desde os dias 24 e 25 de janeiro. Suspeito é o policial Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente.

Foto: Celular de Silvana Germann de Aguiar foi encontrado pela Polícia Civil em um terreno baldio de Cachoeirinha (RS) — Foto: Polícia Civil/Divulgação
27 de fevereiro de 2026

A Polícia Civil investiga novas linhas que podem ajudar a esclarecer o desaparecimento da família de Cachoeirinha que não é vista há mais de um mês: a possível recuperação de gravações das câmeras da casa, a retirada de uma TV do imóvel e o celular encontrado sem digitais.

Silvana de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, 70, estão sumidos desde 24 e 25 de janeiro. Na última quarta-feira (25), a mulher passou a integrar a lista de feminicídios de 2026 no Rio Grande do Sul, tornando-se a 20ª vítima do ano. Até a publicação desta reportagem, nenhum corpo havia sido encontrado. (Relembre o caso abaixo)

O principal suspeito é o ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, preso temporariamente por suspeita de envolvimento no crime.

Gravações das câmeras da casa

 

Na quinta-feira (26), a corporação informou que pediu ao fabricante das câmeras instaladas na casa da família uma análise técnica para saber se as imagens captadas pelos equipamentos podem ter sido armazenadas em outro dispositivo, mesmo após a retirada do acesso local.

A residência possui ao menos duas câmeras externas. Segundo os investigadores, caso exista algum registro preservado da noite em que a família desapareceu, o material pode ajudar a esclarecer o trajeto e a identificação de um carro vermelho que entrou no imóvel no dia 24.

O veículo é considerado fundamental pela polícia para o avanço do caso.

De acordo com a investigação, o automóvel entrou na residência, saiu logo em seguida, e, pouco depois, o carro de Silvana chegou ao local. Horas mais tarde, o mesmo veículo vermelho retornou, permanecendo por apenas 12 minutos antes de ir embora definitivamente. Até agora, nem o carro nem o motorista foram identificados.

Por conta disso, donos de veículos do mesmo modelo e cor vêm sendo chamados para prestar esclarecimentos.

Retirada de TV da casa de Silvana

 

A polícia também investiga a suspeita de que o ex-marido de Silvana possa ter retirado uma televisão da casa da desaparecida e levado para a própria residência, um movimento que chamou a atenção dos investigadores e agora é analisado no inquérito.

Celular com câmeras cobertas

 

Celular de Silvana Germann de Aguiar foi encontrado pela Polícia Civil em um terreno baldio de Cachoeirinha (RS) — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Celular de Silvana Germann de Aguiar foi encontrado pela Polícia Civil em um terreno baldio de Cachoeirinha (RS) — Foto: Polícia Civil/Divulgação

O celular de Silvana foi encontrado no dia 7 de fevereiro embaixo de uma pedra, enrolado em um pano preto em um terreno baldio, nas proximidades do minimercado da família Aguiar. Não foram encontradas impressões digitais no aparelho.

Além disso, as câmeras do aparelho estavam cobertas por fitas adesivas, o que impediu qualquer registro remoto na noite em que a família sumiu, segundo a polícia.

Agora, a investigação tenta determinar se mensagens apagadas do celular foram excluídas automaticamente pelo sistema ou manualmente por alguém com acesso ao dispositivo.

Com as apurações, as autoridades praticamente descartam encontrar a família com vida.

Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar — Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil

Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar — Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil

g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:

Antes do sumiço

  • 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar;
  • 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.
    A reportagem procurou Jeverson Barcellos, advogado de Cristiano, e aguarda posicionamento.

 

O fim de semana dos desaparecimentos

  • 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
    Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
    – 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
    – 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    – 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
  • 25 de janeiro (domingo):
    – Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
    – Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
    – Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.

 

Início das investigações

  • 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
  • 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
  • 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
  • 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
  • 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

 

Perícias e prisão

  • 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa.

 

“Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (…) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP”, explica o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.

 

  • 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais;
  • 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal);
  • 10 de fevereiro:
    – Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação (confira abaixo);
    – Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso;
    – O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos.

 


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