Equipe teve 91 finalizações nas cinco primeiras rodadas, mas transformou apenas três em gol
Foto: Borré é esperança de torcedor para o jogo de domingo contra o Bahia.
Ricardo Duarte / Inter,Divulgação O time que tem 91 finalizações e criou o suficiente para marcar nove gols nas primeiras cinco rodadas do Brasileirão está na zona de rebaixamento e só balançou as redes dos adversários três vezes. Ninguém oportuniza, e desperdiça, mais do que o Inter nesse começo de Série A. E o preço está sendo cobrado, com o pior começo de campeonato desde 1990.
Para efeitos de comparação, nas cinco primeiras rodadas do Brasileirão, o Inter teve 91 conclusões no total. O xG, métrica que calcula o número de gols esperados a partir dessa criação, indica que a equipe deveria ter marcado quase nove vezes. No mesmo período do Brasileirão 2025, foram 64 finalizações e seis gols esperados. Só que no ano passado o time já tinha conquistado seis pontos, o triplo da edição atual. O número foi fundamental para escapar do rebaixamento.
No Brasileirão atual, o Inter só não finalizou ao menos uma dezena e meia de vezes contra o Flamengo no Maracanã. E foram ao menos 15 contra todos os adversários da Série A (incluindo o Grêmio pelo Gauchão, à exceção da primeira partida da final, quando ficou com um jogador a menos ainda no primeiro tempo). Aliás, no Gre-Nal da volta, fez o suficiente para marcar os três gols que precisava. Os números são da plataforma Sofascore.
— Gosto do volume, do que estamos fazendo. Mas gostamos mais de ganhar. Prefiro chutar uma vez e ganhar. Temos muitas coisas boas, mas não vem o resultado. Como treinador, prefiro ganhar — disse o técnico Paulo Pezzolano.
Mas por que o time erra tanto gol? Borré passou por má fase no ano passado, mas marcou seis vezes em 2026, sendo duas contra o Grêmio e uma contra o Flamengo. Alerrandro foi goleador do Brasileirão de 2024, fazendo 15 gols pelo Vitória. Ou seja, qualidade ambos já mostraram. Seria ansiedade? Falta de hábito?
Para o narrador Marcelo de Bona, da Rádio Gaúcha, que estava na Arena do Galo, é difícil achar explicação:
— Parece ser um combo de tudo. Acho que o Inter não dispõe de jogadores com capacidade de boa finalização. Sabidamente o Borré não é esse jogador. E nem o Carbonero. Mas também tem um pouco de ansiedade pelos maus resultados. E o Inter ainda é um time que não inspira confiança entre os próprios setores. Embora se conheça, ainda está desajustado.
Goleador do Gauchão de 1987, o ex-centroavante Amarildo entende que é tudo uma questão de fase. E pede atenção total dos atletas:
— Acredito que isso é só de momento. Eles sabem o que fazer, porém tem coisas que não tem explicações. O melhor a ser feito é treinar mais as finalizações principalmente, e se concentrar que a bola vai entrar.
E recordou:
— Passei por isso certa vez. Lembro que o técnico Ênio Andrade chegou em mim e disse: “Fique tranquilo, está indo bem”. E também conversou com minha esposa: “Fala para seu marido se concentrar que uma hora vai dar certo”. E funcionou mesmo.
A hora parece ser de trabalhar a cabeça e a concentração. As chances estão surgindo. Transformá-las em gol vai aliviar o ambiente.
(55) 3375-8899, (55) 99118-5145, (55) 99119-9065