Agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) cumprem 34 mandados judiciais de prisão e 34 de busca contra suspeitos de participar de quadrilha
Foto: Suspeito conduzido por agentes do Denarc.
Ronaldo Bernardi / Agencia RBS O Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), uma ofensiva contra grupo criminoso que utilizava drones para enviar celulares, drogas e armas para presidiários. São cumpridos 34 mandados judiciais de prisão e 34 de busca, tanto em penitenciárias da Região Metropolitana, do Litoral Norte e da Serra, quanto em residências de suspeitos do uso desses aparelhos para cometer crimes. Até o momento, 27 pessoas foram presas.
Denominada Operação Rasante, a ação está embasada a partir da prisão de quatro pessoas em flagrante pela Brigada Militar em 2025, em Charqueadas. Elas foram surpreendidas quando usavam um drone que continha quatro celulares. Os aparelhos tinham como destino a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). Eles tiveram os seus telefones apreendidos. A partir da quebra de sigilo dos aparelhos, os policiais descobriram mensagens que mostram o uso sistemático de drones para envio de drogas, celulares e até armas para dentro do sistema prisional.
A investigação, realizada pela delegada Ana Flávia Leite (da 4ª Delegacia de Investigações do Denarc) e pelo delegado Marco Schalmes (titular da delegacia de Charqueadas), identificou planos de voos realizados pelos criminosos para envio de mercadorias ilegais a várias penitenciárias de Charqueadas, de Arroio dos Ratos, de Canoas, de Bento Gonçalves e de Osório. As provas estão filmadas e georreferenciadas nos celulares dos próprios bandidos.
Conforme a delegada Ana Flávia, duas facções criminosas diferentes — uma do Vale do Sinos, outra de Porto Alegre — usavam os serviços de um mesmo especialista em voos, o chamado “droneiro”. Ele não apenas domina toda a tecnologia de voo, mas também monta e conserta drones numa oficina própria. Esse expert dirige o núcleo técnico da quadrilha, responsável pela aquisição, customização e pilotagem dos aparelhos. Isso inclui adaptações voltadas ao aumento de autonomia, alcance e capacidade de carga, além da utilização de dispositivos de comunicação que dificultam a detecção pelas forças de segurança. Um outro núcleo, operacional, atua com os chamados pilotos, que preparam o transporte, as cargas e o suporte em campo, garantindo a execução das operações em horários estratégicos.
Os equipamentos são usados mais durante a madrugada, com vistas à redução do risco de interceptação. Os drones são dotados de sensor térmico (para detectar a aproximação de guardas) e um compartimento de carga adaptado para lançar drogas, armas e celulares. Os bandidos também usam jet-skis para conseguirem escapar por água, quando identificados pelos guardas e PMs.
— Foram identificados diálogos que demonstram definição prévia de rotas, janelas de voo, quantidade de carga e estratégias para mitigação de riscos, inclusive com preocupação expressa quanto à responsabilização penal, em caso de abordagem policial. As conversas também revelam domínio técnico dos operadores quanto a variáveis como altitude, interferência de sinal, autonomia de bateria e condições climáticas, evidenciando profissionalização da atividade criminosa — detalha a delegada.
Em uma das conversas, os criminosos falam num drone com tecnologia russa, de fibra óptica, que seria difícil para as forças de segurança detectarem, aponta a delegada Ana Flávia. Nesse tipo de drone, os sinais de vídeo e controle são transmitidos através do cabo — diferentemente dos dispositivos tradicionais, que são operados por frequências de rádio. Ou seja, a existência de uma conexão física faz com que ele não sofra interferências por interceptores eletrônicos.
As investigações revelaram ainda a atuação direta de apenados como núcleo de comando e movimentação de milhões de reais para os voos. Isso porque os aparelhos são sofisticados e com capacidade de levar até 25 celulares ao mesmo tempo. Dentro do presídio, cada telefone é vendido por até R$ 70 mil.
— Ao interceptar esse esquema, conseguimos evitar muitas mortes e roubos ordenados desde dentro dos presídios. Ao contrário do que eles alegam nas conversas, a Polícia sabe, sim, como operam e vai continuar desarticulando essa estratégia — fala o diretor-geral do Denarc, delegado Carlos Wendt.

Um drone com essa capacidade custa cerca de R$ 120 mil e, mesmo com preço elevado, pode ser dispensado após o uso: o importante é que a mercadoria seja entregue, ressalta Ana Flávia.
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