Camisa 10 vive momento de instabilidade, mas estilo criativo e importância histórica pesam nas decisões de Pezzolano
Foto: Nas três vitórias coloradas no Brasileirão, Alan Patrick só jogou em uma, contra a Chapecoense, em casa
Bruno Todeschini / Agencia RBS Em tese, o melhor jogador do time. Na prática, o capitão. O maior dos debates do Inter no momento envolve Alan Patrick. A titularidade do camisa 10 está em jogo muito em razão dos resultados recentes, com e sem ele.
Nas três vitórias coloradas no Brasileirão, Alan Patrick só jogou em uma, contra a Chapecoense, em casa. Diante de Santos e Corinthians, ambas fora, viu do banco os companheiros conseguirem os três pontos.
Essa diferença, jogar no Beira-Rio ou fora dele, tem sido decisiva para Paulo Pezzolano escalar o meia. Em jogos nos quais imagina ter mais dificuldades defensivas, o técnico tem optado por jogadores de mais vitalidade, mesmo que sacrifique a criação. Em casa, especialmente contra adversários da parte de baixo da tabela, não é possível prescindir de criatividade.
— Alan Patrick é o jogador de mais qualidade que temos. É o nosso 10, o nosso capitão. É o melhor jogador que temos, dono de uma qualidade tremenda. Futebol é momento, ele sabe e vai começar a fazer a diferença como fazia. Estou tranquilo com isso. Não é por ele, porque no princípio ele jogava e também tínhamos muita intensidade. É todo o time, é tudo o que eu estou tentando arrumar. É um problema meu, não é de jogador. Eu estou muito tranquilo, temos jogadores de qualidade que já vão marcar a diferença que eles querem também.
A pressão da torcida é natural. Ao menos é o que entende um dos grandes camisas 10 da história do futebol brasileiro. Alex Souza, atual técnico do Athletic, ídolo de Cruzeiro, Palmeiras, Fenerbahçe, comentou sobre o momento de Alan Patrick:
— Pegar no pé do Alan Patrick é natural, porque os torcedores esperam que ele seja decisivo, que leve o time para a frente. A vaia é natural porque todos conhecem e reconhecem a qualidade que demonstrou no Santos, na Europa e no Inter. Essas críticas são normais em um gigante do Brasil porque as pessoas criam a expectativa em torno do melhor jogador — disse o ex-meia.
O capitão colorado sofre também pela comparação com o passado. Especialmente com 2023, quando ele conduziu o time com gols e assistências em todas as fases eliminatórias da Libertadores, inclusive na semifinal da eliminação contra o Fluminense. O Alan Patrick de 2026 não consegue repetir a constância dos anos anteriores, que o levaram a alcançar números impressionantes, lembrados pelo titular da Central de Esportes, Marcos Bertoncello.
— Alan Patrick é o sexto maior goleador do Inter no século, atrás só de Damião, D’Alessandro, Nilmar, Alex e Fernandão. É também quem mais fez gol no Beira-Rio pós-Copa do Mundo de 2014. E em Gre-Nal, tão importante na nossa rivalidade, soma nove gols.
O desafio de Pezzolano é encaixá-lo junto a outros jogadores com menor intensidade, como Carbonero, que foi o escolhido para enfrentar o Botafogo, em Brasília, no sábado passado. O treinador admitiu isso:
— Podem jogar juntos, são características diferentes. Já fizeram isso. É uma dívida minha. Preciso encontrar eles com um bom coletivo defensivo e ofensivo. Eu penso nisso todo o dia. São jogadores de grande nível. Às vezes preciso decidir pelo time e escolher um ou outro. Vamos tentar tirar o melhor deles — disse o treinador.
Contra o Fluminense, no domingo (3), um adversário que não tem medo de sair para o jogo, não será surpresa se Pezzolano optar por um ou outro. Mas Alan Patrick continua em alta cota com o treinador e com o grupo.
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