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A indecência da “simpatia” brasileira

20 de junho de 2018

O comportamento deplorável de alguns torcedores brasileiros na Copa da Rússia envergonhou a sociedade brasileira e expôs um lado negativo das interfaces do machismo.

Os modos desiguais (diante da figura feminina) e desrespeitosos desses cidadãos, os quais estão entre o patamar da classe média e alta da sociedade (até porque não são todos que dispõe de condições para ir assistir a uma copa do Mundo), colocam em cheque a imunidade para esse tipo de comportamento de homens ditos bem instruídos e sucedidos.

Observamos que os indecorosos brasileiros possuem formação superior, alguns, inclusive, ocupam cargos públicos. Vejam que ironia: os sujeitos bem formados não passam de uns abusados, que através de sua conduta, revelam sua visão da mulher que existe para satisfazer seus desejos sexuais.

Quantas vezes subjugamos os meliantes que não possuem uma formação? O estuprador geralmente é o que na cabeça da maioria das pessoas? O favelado, o Zé ninguém. Não é mesmo? E o que dizer dos bonitões se apresentando na Rússia?

De toda forma, a intenção não é entrar no mérito do perfil do machista, até porque essa condição é recorrente em homens de todas as classes sociais, o ponto em destaque é o disparate com as mulheres e crianças que foram expostas, a ousadia destemida e principalmente, a mostra negativa do Brasil. Não basta ser palco de grandes enredos de corrupção, problemas econômicos e políticos, leva-se ao conhecimento mundial a desmoralização com requintes de safadeza, também.

O pior é que essa demonstração de mau gosto explica o porquê de tantos casos de misoginia, violência, feminicídio e tantos outros atos inescrupulosos e vexatórios disparados contra o sexo feminino. Onde nossa sociedade vai parar? O que esperar das crianças, futuro da Nação, que são criadas nesse meio? Com pais que proporcionam as melhores condições financeiras possíveis, acesso as melhores escolas e oportunidades, mas em compensação, as piores referências de respeito e honestidade. Isso tudo reforça que não é a classe social, dinheiro e boa formação que garantem a formação de bons

cidadãos. As crianças precisam aprender em casa, com os bons exemplos, como serem educados e respeitosos seja com quem for.

Infelizmente, esses fatos ocorridos na Rússia, ofuscaram o espírito festivo alusivo a um evento como a Copa, que tem como essência a união entre os povos, através do respeito e comunhão entre as nações. Que todos esses tristes episódios sirvam de lição e que os envolvidos sejam responsabilizados e respondam pela infame negligência.

Finalizo parafraseando Paulo Freire: “Desrespeitando os fracos, enganando os incautos, ofendendo a vida, explorando os outros, discriminando o índio, o negro, a mulher, não estarei ajudando meus filhos a ser sérios, justos e amorosos da vida e dos outros”.


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