Após 150 dias, Guto Ferreira conduz o Inter entre elogios e críticas - Agora Já -

Após 150 dias, Guto Ferreira conduz o Inter entre elogios e críticas



Permanência do técnico para 2018 no Beira-Rio ainda divide opiniões

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1 de novembro de 2017

Há 154 dias o técnico Guto Ferreira comanda o Inter. Assumiu o vestiário horas após a eliminação para o Palmeiras na Copa do Brasil e cinco dias depois da derrota para o Paysandu no Mangueirão. Recebeu a equipe na quarta rodada da Série B e na nona colocação. Em 29 partidas, fez do Inter o líder da Segunda Divisão e logo abriu contagem regressiva para o acesso. Também foi eliminado da Primeira Liga, com autorização da direção, que concordou com a utilização de um time misto na semifinal contra o Atlético-MG.

Com o técnico, o Inter obteve 65,5% dos pontos disputados no nacional. Não é um desempenho de entusiasmar, trata-se apenas do mínimo necessário para sair do atoleiro da Série B. Se o time há anos sofre da dependência técnica de D’Alessandro, agora também ficou refém de outro jogador: Leandro Damião. Quando um ou outro está ausente, os jogos ficam mais complicados para a equipe de Guto.

Contratado ao Bahia, Guto Ferreira mudou a maneira de jogar do time de Antônio Carlos Zago, passando da “Árvore de Natal”—  o 4-3-2-1 — para o 4-1-4-1.

— Guto entrará para a história como o homem que reconduzirá o Inter para à Série A. Por mais que isso pareça fácil, Antônio Carlos Zago não estava conseguindo. O esquema 4-1-4-1 de Guto se mostrou mais eficiente do que o 4-3-2-1 do antecessor, mas isso também aconteceu porque surgiu um homem de frente que Zago não tinha: Leandro Damião. O atacante é claramente determinante na retomada colorada — afirma o repórter da Rádio Gaúcha José Alberto Andrade.

Até fazer do Inter líder da Série B, Guto sofreu. A derrota para o Boa, em casa, será para sempre uma tatuagem na trajetória colorada em 2017. O Beira-Rio foi transformado em praça de guerra após esse revés e, na sequência, o empate com o Criciúma. Nas últimas semanas, o futebol do Inter deu sinais de desgaste, com a derrota para o Paraná, as magras vitórias sobre Brasil-Pel e Criciúma, além do empate com o Boa fora e a derrota em casa para o Ceará do veterano atacante Magno Alves.

— Antes de tudo é preciso lidar com as expectativas. Quem cai, cai com a sensação de que é proibido perder. Mas em qualquer campeonato longo você vai trocar resultados. Guto assumiu no meio do caminho para corrigir essa expectativa. De positivo, colocou o Inter perto de uma expectativa mais realista. Não tem ameaça concreta de não subir. Entregou ao Inter o pacote “Série B de clube grande”: subir sem sustos — entende o comentarista e apresentador do canal SporTV Marcelo Barreto.

Para o comentarista mineiro, o treinador tem mais méritos do que equívocos e, por isso, merece uma chance em 2018. Mas os recentes resultados colocaram em xeque a capacidade de Guto para conduzir a equipe na Primeira Divisão. Desde a derrota para o Paraná, a equipe não demonstra um bom desempenho.

— Guto teve uma queda de qualidade no seu trabalho. Algumas de suas escolhas recentes são bem questionáveis, como Alemão e Danilo Silva ou Roberson pra substituir Damião. A volta da famigerada ligação direta é outro ponto frágil. Semanas de treinamento para o zagueiro dar um balão para o centroavante? — pondera o comentarista do Grupo RBS Maurício Saraiva.

Para Arnaldo Ribeiro, comentarista dos canais ESPN, mesmo sem brilho, o trabalho de Guto no Inter o credencia à renovação do contrato para a próxima temporada:

— Guto está passando de ano, com o acesso e o primeiro lugar na Série B, mas com nota mínima. Chegou. Enfrentou tempestades. Arrumou o time. Deu padrão. Mas estagnou. O Inter da reta final da série B não empolga, e vê seu rival chegando a uma decisão da Libertadores. Essa comparação não pode ter peso na decisão de manter ou não o treinador do Inter. Entre uma troca sem convicção e a manutenção do trabalho, fico com a segunda opção. A Série A comprova isso. O líder é comandado por um ex-interino. O vice-líder é treinado por um interino. A fase atual dos treinadores brasileiros mostra um nivelamento por baixo. O que não justifica mais o alto salário que eles recebem.

Guto poderá ser merecedor de elogios ou de novas críticas dependendo de suas próximas ações. Na sexta-feira, o Inter receberá o CRB. Na segunda-feira, jogará no Passo das Emas, em Lucas do Rio Verde-MT, contra o Luverdense. Os dois jogos poderão reconduzir os colorados à elite do futebol brasileiro.

 

*GaúchaZH


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