Casos de deriva do 2,4-D são maiores do que o informado, dizem entidades - Agora Já -

Casos de deriva do 2,4-D são maiores do que o informado, dizem entidades



Produtores de culturas atingidas contestam dados da Secretaria da Agricultura que apontaram a redução de amostras contaminadas em 2020 em relação a 2019

Foto: João Alberto Minuzzi / Divulgação
7 de janeiro de 2021

Produtores que tiveram suas plantações atingidas pela deriva do herbicida 2,4-D no Rio Grande do Sul em 2020 contestam os dados divulgados pela Secretaria da Agricultura (Seapdr) nesta semana. Relatório preliminar apontou queda no percentual de amostras contaminadas – 62,34% no ano passado contra de 88,23% em 2019. A Associação Vinhos da Campanha Gaúcha afirma que os números da Seapdr não refletem a realidade.

O presidente da associação, Valter José Potter, exemplifica que o relatório apontou a existência de três casos de deriva em Dom Pedrito. No entanto, diz ter conhecimento de que cinco propriedades foram afetadas e que duas delas sofreram três derivas cada. “Dois proprietários desistiram de denunciar, mas o problema é igual ou pior do que o ocorrido em 2019”, afirma Potter, ao acrescentar que “não se conforma” de o Estado acreditar em avanços quando o assunto é o 2,4-D. “Mesmo que tivessem sido somente as 89 propriedades atingidas em 2020, como diz a secretaria, o problema social e econômico já é amplo e gravíssimo”, sustenta.

O dirigente explica ainda que, por não acreditar em deriva zero e pela “ameaça à diversificação” de culturas, a associação, junto da Associação Gaúcha dos Produtores de Maça (Agapomi), ingressou há três semanas na Justiça com uma ação civil pública requerendo a suspensão do uso do agrotóxico até que o Estado demarque as zonas de exclusão (áreas onde o produto seria proibido para proteger os cultivos sensíveis). “Estamos na expectativa pelo posicionamento da Justiça”, diz Potter.

Em Jaguari, município com o maior número de casos de deriva (21) comprovada entre agosto e dezembro de 2020, a produção de uvas vem caindo ano a ano, segundo o presidente da Cooperativa Agrária São José, João Alberto Minuzzi. Em 2014, a cooperativa recebeu 830 toneladas de uva. No ano passado, 430 toneladas e neste ano deve ter novo recuo. Minuzzi comenta que os produtores estão desestimulados, após anos seguidos de perdas, e muitos já desistiram das uvas e migraram para a plantação de tabaco.

Um dos problemas, no entendimento de Minuzzi, é a falta de fiscalização dos produtores de soja de cidades lindeiras que usam o 2,4-D. Suspeita ainda de “equívoco” nos dados da Seapdr, ao comentar que os fiscais estaduais não têm dado conta de atender a demanda de denúncias em tempo hábil de fazer a coleta. “Quando a amostra é coletada tardiamente, ela não detecta a deriva”, aponta o presidente da cooperativa.

O chefe da Divisão de Insumos e Serviços Agropecuários da Seapdr, Rafael Lima, diz que as Instruções Normativas que estabeleceram as regras para aplicação dos herbicidas hormonais, hoje focadas em 24 municípios prioritários, deverão valer em todo o Estado a partir de junho deste ano. Mas afirmou que esta data poderá ser revista, em função da dificuldade de capacitar os produtores por conta da pandemia. Explicou que, assim que todos os municípios tiverem que cumprir as INs, será facilitada a identificação dos infratores. “Terá reflexo direto no caso de Jaguari, por exemplo, já que municípios do entorno não estão hoje abarcados pelas INs”. Destaca ainda que 93 mil produtores declararam ter comprado produtos hormonais em 2020 e o que existem são “casos pontuais de deriva que precisarão de um atendimento prioritário”.

Para o vice-presidente da Federação da Agricultura (Farsul), Elmar Konrad, o problema da deriva é “contornável”. Diz que os produtores têm buscado se profissionalizar e participar dos treinamentos oferecidos pelo Senar e empresas. “Este é o caminho, não adiantam conflito entre os produtores porque todas as culturas são importantes”, pondera Konrad.


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