Condenado por Ser - Agora Já -

Condenado por Ser

25 de janeiro de 2018

Entre os símbolos que caracterizam que vivemos no Brasil uma verdadeira e simples divisão entre os da Casa Grande e os da Senzala, está o privilégio, dado sem lei, do chamado auxílio moradia, extensivo não apenas aos juízes, mas a outros membros que operam o direito e, que deveriam, fazer justiça.

 ‘Cumpadi é pá essas coisa’. Até naquilo que Moro diz estar errado, o ‘cumpadi’ Gebran afirma que estava certo. É aquela história que a saudosa vó Floreana contava do compadre que era para aumentar as qualidades do amigo perante um estranho. O cara tosse e diz: “uma gripezinha”. “Que nada, uma baita pneumonia”, arremata o compadre perante o incrédulo assistente. Mas, se as pessoas acham que a história não se repete, na primeira vez como farsa e depois como tragédia como diz o velho Marx, não luz capaz de iluminar da cegueira da ignorância.

Em um artigo publicado terça-feira (23), no jornal The New York Times, o economista Mark Weisbrot acusou o Poder Judiciário brasileiro de estar empurrando a democracia do país para o abismo, na forma como vem condenando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e afirmou que a democracia brasileira passa por seu momento mais frágil desde a ditadura militar.

Compadrios pessoais à parte, a questão é que o judiciário é a instituição do compadrio entre os da Casa Grande, o guardião dos privilégios dos Senhores. O sociólogo e cientista político Jessé Souza, que recém-lançou o livro A elite do atraso – da escravidão à Lava Jato, discute a importância da escravidão na formação da sociedade brasileira e na perpetuação do ódio e da indiferença que permeiam as relações sociais. O tema da corrupção foi um mero pretexto. O que estava indignando os setores de classe média? As reformas, por sinal muito lights, que o PT estava fazendo. Elas estavam relacionadas à diminuição da distância entre as classes.

O presidente Lula foi condenado por “ser” um homem que produziu políticas que beneficiaram os mais pobres e não por “ter” feito algo no campo da ética. Quem é senzala não pode “ser” outra coisa. Para Jessé, “Os pobres estavam começando a entrar na universidade. A universidade é a base do privilégio da classe média: o acesso exclusivo às fontes de conhecimento prestigioso, que resultará na formação de juízes, professores universitários, economistas, advogados. Os pobres estavam entrando neste caminho. As pessoas se incomodarem com a diminuição desta distância é algo escravocrata entre nós”.

Para aqueles que querem acreditar que agora é “bola pra frente”, que o Brasil precisa “andar”, lembrem que o que o próprio Lula disse que “a reforma da previdência não mexe no bolso do Gebran”. Ou seja, sem Lula para a grande maioria das pessoas é “bola pra trás”, inclusive para os lambe-botas.

 

Natanael Mücke
Economista – CRE-RS 6593
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Secretaria de Planejamento e Finanças de Cruz Alta


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