'Depois do 'não', tudo é assédio', diz promotora sobre conduta de motorista de aplicativo em Viamão - Agora Já -

‘Depois do ‘não’, tudo é assédio’, diz promotora sobre conduta de motorista de aplicativo em Viamão



Homem foi banido de plataforma de transporte e nega ter assediado a jovem, que gravou vídeo da corrida.

Foto: Reprodução/RBS TV
20 de fevereiro de 2020

Em entrevista ao Jornal do Almoço, da RBS TV, nesta quarta-feira (19), a promotora de Justiça Ivana Battaglin disse que a conduta do motorista de aplicativo que foi banido após supostamente assediar uma adolescente “é desprezível”. O caso aconteceu no domingo (16), em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A jovem, que tem 17 anos, gravou um vídeo e divulgou nas redes sociais.

“Depois do ‘não’, tudo é assédio. A gente está falando de uma adolescente. Ela deve ser respeitada como mulher, pelo seu gênero, e como adolescente, pela sua idade”, disse a promotora especializada no combate de violência doméstica e familiar contra a mulher.

A Polícia Civil abriu investigação contra André Lopes Machado, de 43 anos, e a delegada responsável pelo caso, Marina Dillenburg, diz não ter todas as provas para finalizar o inquérito policial, mas afirmou que André deve ser responsabilizado por perturbação da tranquilidade, e não por assédio.

“Se conseguirmos tipificar a conduta dele com outras vítimas e coisas mais graves, ele vai ser indiciado”, explicou a delegada.

A delegada diz que o motorista nega ter cometido assédio. Caso seja responsabilizado, a pena aplicada por perturbação da tranquilidade seria de 15 dias a 3 meses.

“A perturbação da tranquilidade, que é uma mera contravenção, tem uma pena que não é adequada para toda essa indignação”, explica Ivana.

Para a promotora, colocar esse assunto em discussão incentiva as vítimas de abusos a denunciarem.

“Evitar esse tipo de conduta é denunciando, se unindo e não criticando aquela que usa o shortinho”, disse.

Em entrevista a jornalistas após depoimento na polícia, o motorista justificou a conduta dizendo que a adolescente “estava com um short do ‘tipo Anitta’, uma miniblusa, com as pernas abertas no banco, me chamando atenção”.

“Eu sou promotora de Justiça há 22 anos, e há 22 anos eu escuto os réus, os agressores, os acusados dizerem esse tipo de coisa. E as vítimas se sentirem humilhadas, envergonhadas. Mas o que eu tenho que dizer pra essas vítimas é que elas não percam a coragem, que elas não sintam vergonha e denunciem”, afirmou a promotora.

Ivana acredita que a cultura do estupro naturaliza a ação de assediadores, colocando as vítimas no papel de culpadas.

“Isso é um fruto de uma sociedade machista que justifica uma conduta. Nós chamamos isso de cultura do estupro, onde se naturaliza as condutas agressivas dos estupradores, dos abusadores ou assediadores. E se culpa as vítimas por terem sido abusadas, estupradas ou assediadas. A cultura de estupro é isso, é naturalizar a conduta do assédio, dos assediadores e dos estupradores e culpar a vítima”.

Apesar desse caso específico ter um vídeo que mostre o momento em que a jovem se sentiu assediada, a palavra da vítima já é suficiente para oficializar um denúncia.

“A palavra da vítima prepondera sobre a palavra do agressor. Os agressores não praticam isso na frente de todo mundo. Essa espécie de crime, os crimes contra a liberdade, contra a dignidade sexual, são praticados sempre às ocultas e as vítimas tem muita vergonha de terem sido vítimas, justamente porque são criticadas. Justamente porque depois os agressores vão para frente das câmeras, vão pra frente de outras pessoas, dizer que a culpa foi delas. Mas a culpa nunca é da vítima”, conclui.

Confira nota da Uber na íntegra

A Uber considera inaceitável e repudia qualquer ato de violência contra mulheres. A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos dessa natureza às autoridades competentes. A conta do motorista parceiro foi banida assim que a denúncia foi feita.

A empresa defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. Todas as viagens com a plataforma são registradas por GPS. Isso permite que em caso de incidentes nossa equipe especializada possa dar o suporte necessário, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado.

Como parte do processo de cadastramento para utilizar o aplicativo da Uber, todos os motoristas passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos pelo próprio motorista e com consentimento deste, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos criminais, na forma da lei. A Uber também realiza rechecagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses.

Desde 2018 a Uber tem um compromisso público para enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, materializado no investimento em projetos elaborados em parceria com entidades que são referência no assunto, que inclui campanhas contra o assédio e podcast para motoristas parceiros sobre violência contra a mulher, entre outras ações. Em novembro, a Uber anunciou um investimento de R$ 5 milhões para continuidade desse compromisso ao longo dos próximos anos.

*Fonte: G1 RS


(55) 3375-8899, (55) 99118-5145, (55) 99119-9065

Entre em contato conosco

Copyright 2017 ® Agora Já - Todos os direitos reservados
error: Conteúdo protegido! Cópia proibida.