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Exegetas da submissão

22 de janeiro de 2018

As manifestações de muitos párocos mostram que além do uso de Jesus Cristo como garoto propaganda de suas teologias de prosperidade o que está em voga é a utilização de qualquer ícone do cristianismo para, através de suas exegeses, manter submissas às ovelhas, não à vontade do Pai, mas aos mesquinhos interesses de seus líderes (lobos). Tais lideranças confundem o “sonho de liberdade” do pastor negro Dr. Martin Luther King Jr, com o idólatra “sonho americano”, verdadeiro culto a Mamón.

De 1963 até seu assassinato há 49 anos, em 4 de abril de 1968, Martin Luther King Jr. foi perseguido e investigado pelo FBI sob a acusação de ser “comunista” e de ter atividades “antiamericanas”. Em 1965, bem no clima “escola sem partido” da direita brasileira atual, o reverendo teve de se explicar a jornalistas por ter ido a um colégio no Tennessee acusado de ser uma “escola de treinamento de comunistas”.

O fato de as ideias serem deturpadas a ponto de o Dr. King, poder se transformar em mais um garoto propaganda de ideais da direita no Brasil, não me surpreende. Aliás, nisto, não há muita originalidade, os “nossos” exegetas, bebem muito nos EUA e foi o presidente belicoso Ronald Reagan que proclamou, hipocritamente, o dia de Martin Luther King.

Tenho certeza que a grande maioria dos líderes citam hoje grandes líderes do direitos humanos, e ao mesmo tempo, defendem as guerras, as armas, espalham o ódio de classe,  jamais leram qualquer livro ou texto de tais homens. Defender as ditaduras militares ou as da mídia-judiciária como a que golpeou a democracia brasileira usando o cristianismo é uma grande profanação se o Deus que propagam é o mesmo Libertador do qual Moisés da testemunho em Deuteronômio dizendo:”  Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. A libertação do Mississippi, do calor da injustiça e da opressão é algo que os netos de Luther King ainda não viram. É algo distante dos netos de Pixley. Ou ainda, para ficar apenas com alguns batistas americanos, será distante dos olhos dos netos de Obama.

Num Brasil que entrega todas as riquezas aos abutres americanos, por obra aqui, de pessoas como os lavajateiros Golden Boys de Curitiba, nada mais atual saber que estamos, como nações, muito distantes dos sonhos, mas numa infeliz proximidade com a realidade de King Jr., cujo vaticínio é mais do que válido: “A maior de todas as ironias e tragédias é que nossa nação, que gerou tanto do espírito revolucionário do mundo moderno, está agora no papel de antirrevolucionário supremo. Estamos envolvidos numa guerra que tenta fazer o relógio da história recuar e perpetuar o colonialismo”.

 

Natanael Mücke
Economista – CRE-RS 6593
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