Família desaparecida há 80 dias no RS: sangue encontrado na casa de filha era dela e do pai, diz polícia - Agora Já -

Família desaparecida há 80 dias no RS: sangue encontrado na casa de filha era dela e do pai, diz polícia



Mulher e os pais não são vistos desde janeiro. Eles eram donos de um mercado em Cachoeirinha. O principal suspeito é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, que está preso preventivamente.

Foto: Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana e pai do filho dela, preso temporariamente desde fevereiro — Foto: Renan Mattos / Agencia RBS
15 de abril de 2026

O sangue encontrado na residência de Silvana Germann Aguiar, de 48 anos, desaparecida desde o final de janeiro em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, pertencia a ela e ao pai, Isail Aguiar, de 69 anos, que também está sumido. A informação foi confirmada pela Polícia Civil.

Silvana e os pais, Isail e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos, não são vistos há 80 dias. No dia 24 de janeiro, Silvana sumiu. Um dia depois, 25 de janeiro, Isail e Dalmira foram vistos pela última vez. Desde então, o caso segue cercado de mistérios e não se tem informações sobre o paradeiro da família.

O principal suspeito é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, que está preso preventivamente.

Os investigadores veem como remotas as chances de encontrá-los com vida. A investigação trata o caso como feminicídio e duplo homicídio. A polícia aponta que a motivação do crime seria a disputa pela criação do filho do PM com Silvana, além de questões financeiras envolvendo o patrimônio da família Aguiar.

Novos investigados

 

No final de março, três pessoas, ligadas ao policial militar, passaram à condição de suspeitas, pois estariam atrapalhando as investigações.

Conforme o delegado, uma parente de Cristiano é investigada por apagar dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem (espaço de armazenamento online). Profissional da área de TI, ela é suspeita de fraude processual.

Ainda segundo o delegado, um homem, familiar do PM, teria deletado imagens de câmeras da casa onde mora a mãe de Cristiano. Ele também é suspeito de fraude processual.

Ainda, uma terceira pessoa próxima do PM é investigada por falso testemunho. Segundo o delegado, a pedido de uma familiar de Cristiano, o homem teria mentido em circunstâncias do depoimento, para dar falsos álibis ao principal suspeito.

O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, diz que segue atuando no caso e acompanhando o cliente. Ele destaca que aguarda a conclusão do inquérito policial para se manifestar.

Silvana Germann de Aguiar e o pai dela, Isail Vieira de Aguiar — Foto: Arquivo pessoal

Silvana Germann de Aguiar e o pai dela, Isail Vieira de Aguiar — Foto: Arquivo pessoal

Relembre o caso

 

Infográfico mostra sequência de fatos sobre o desaparecimento de três membros da família Aguiar no RS — Foto: Arte/g1

Infográfico mostra sequência de fatos sobre o desaparecimento de três membros da família Aguiar no RS — Foto: Arte/g1

O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:

Antes do sumiço

  • 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar;
  • 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.

 

O fim de semana dos desaparecimentos

  • 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
    Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
    – 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
    – 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    – 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
  • 25 de janeiro (domingo):
    – Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
    – Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
    – Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.
  • Início das investigações

    • 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
    • 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
    • 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
    • 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
    • 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

     

    Perícias e prisão

    • 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa.
    • 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais;
    • 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal);
    • 10 de fevereiro:
      – Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação.
      – Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso;
      – O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos.
    • 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos.
    • 20 de fevereiro:
      – O policial militar prestou depoimento à polícia. De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio;
      – Polícia confirma que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia em que ela desapareceu. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário.
    • 24 de fevereiro: A perícia do celular Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, diferente do que indicava a publicação feita em 24 de janeiro em suas redes sociais.
    • 24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês.

     


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