Governo dá medalha a ministro sob suspeita. - Agora Já -

Governo dá medalha a ministro sob suspeita.

16 de dezembro de 2011

O governo federal ofereceu ontem a Medalha Ordem do Mérito da Defesa a 270 personalidades e oito instituições que tenham desempenhado com distinção suas atividades e contribuíram com a defesa do país.
Entre os agraciados está o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), alvo de suspeitas de tráfico de influência por conta da atividade de sua consultoria.
Também recebeu a comenda o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Andrade, que contratou a consultoria de Pimentel quando estava à frente da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais).
O ministro está em viagem ao exterior e o presidente da confederação não compareceu ao evento.

CRITÉRIOS

Segundo a divulgação do Ministério da Defesa, os agraciados são personalidades que tenham-se “distinguido no exercício da profissão, além de organizações militares e instituições civis que também tenham prestado relevantes serviços ao Ministério da Defesa e às Forças Armadas no desempenho de suas missões constitucionais”.
A presidente Dilma esteve presente no evento, mas não discursou. Apenas uma mensagem sua foi lida parabenizando os agraciados por suas atividades “meritórias em defesa da pátria”.
O Ministério da Defesa afirmou que os agraciados foram incluídos na lista para receberem a medalha no início do mês passado. Outros ministros receberam a comenda, como Gleisi Hoffmann (Casa Civil), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).
Além deles, foram agraciados dezenas de militares e políticos, como o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) e o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT).

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Ministro é também suspeito de promover palestras fantasmas

Pimentel e federação evitam falar sobre ’palestras-fantasmas’

O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e o ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) Robson de Andrade silenciaram diante de uma contradição apontada nos serviços prestados por uma empresa de consultoria de Pimentel à federação.
Na semana passada, Andrade afirmou que parte do R$ 1 milhão pago pela federação para Pimentel a título de consultoria foi para a realização de palestras dele em unidades regionais da Fiemg em Minas Gerais.
Segundo reportagem publicada ontem pelo jornal “O Globo”, porém, essas palestras nunca aconteceram.
O jornal publica declarações de representantes dessas unidades negando que Pimentel tenha dado qualquer palestra.
Procurado, Pimentel afirmou, via assessoria, que não comentaria a acusação de que teria recebido por “palestras-fantasmas”.
Robson Andrade, atualmente presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), não participou de nenhum dos dois eventos públicos nos quais estaria presente, em Brasília.
Ele era esperado em um almoço para discutir parcerias entre empresas brasileiras e europeias e, à tarde, na cerimônia em que receberia da presidente Dilma a medalha Ordem do Mérito da Defesa, na Base Aérea de Brasília.
Segundo a assessoria da confederação, ele teve que viajar às pressas para resolver problemas familiares. A assessoria disse que ele não faria comentários em relação aos serviços contratados pela Fiemg a Pimentel.
A direção da federação não quis comentar as declarações dadas por funcionários de suas regionais.

Em nota divulgada na noite de ontem, a direção da federação disse que não tem mais nada a falar.
“Com relação a este assunto, não temos mais informações a prestar. Também não temos quaisquer outras declarações a fazer, uma vez que consideramos que todas as informações já foram devidamente prestadas.”

POLÊMICA

Durante o dia, em entrevista na sede entidade, o atual presidente, Olavo Machado Júnior, se esquivou de responder aos questionamentos sobre o caso. “É um assunto polêmico. Deixa eu pensar um pouco o que está acontecendo e volto a responder.”
Diante do questionamento sobre o porquê de a Fiemg não conseguir comprovar se as palestras ocorreram, ele disse: “Acho que não é pergunta para fazer agora, mande as perguntas [por e-mail]”.


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