O Brincar e a Tecnologia nos dias atuais. Seu filho fica muitas horas no tablet? Você deixa o seu bebê “brincar” com o celular? - Agora Já -

O Brincar e a Tecnologia nos dias atuais. Seu filho fica muitas horas no tablet? Você deixa o seu bebê “brincar” com o celular?

17 de novembro de 2017

O brincar na infância tem um valor significativo, pois é através dele que o desenvolvimento infantil vai acontecer. A oferta de experiências de vida pode favorecer ou desfavorecer a construção e aquisição deste processo, a autonomia, constituição psicomotora, por isso o brincar é tão importante para as crianças como comer ou ter direito a saúde e educação.

Atualmente, brinquedos e jogos fazem parte de uma nova era que produz brinquedos em massa, convidativos às crianças, que falam, andam, choram e realizam “super movimentos”, permitindo assim, pouco espaço para as crianças exercitarem o seu potencial criativo. Nota-se que em algumas famílias há um acúmulo de brinquedos, assim como permanecem muito tempo alheias ao contato com o Outro através dos jogos eletrônicos e/ou uso de celulares e Tablets,, perante uma discrepância da busca de um pensamento veloz (eletrônico), com um corpo que não é convocado ao movimento.

As novas tecnologias podem contribuir de alguma forma para o desenvolvimento das crianças. Por outro lado, o uso abusivo dos aparelhos tecnológicos pode causar danos no desenvolvimento, na saúde e no desempenho escolar das crianças, existem riscos envolvidos no uso excessivo da tecnologia. O problema é que os aparelhos, dependendo do seu uso, oferecem uma linguagem fragmentarizada para as crianças, não sustentando um lugar de subjetivação.

No virtual tudo se realiza numa fantasia pronta, criada previamente. Há crianças que desenvolvem uma tendência ao isolamento ou passam a não conseguir transitar por outro tipo de brincadeira além dos jogos eletrônicos. Há crianças que são prejudicadas também pela falta de movimentação, podendo vir a desenvolver excesso de peso, ou problemas relacionados a postura corporal.

Não é difícil encontrar também bebês, usando tablets, mexendo no celular do pais. Atenção!! No caso dos bebês, a interação que estabelecem entre eles e com os outros sujeitos da relação (pais, familiares…) é que é essencial nos primeiros meses de vida, nesta fase o estimulo do desenvolvimento motor da criança é importante, por isso o bebê ter o sistema cognitivo estimulado com eletrônicos precocemente pode gerar consequências. Preocupa também quando os pais recorrem à tecnologia para que o bebê fique mais calmo e essa forma passa a substituir as palavras e o colo materno, é o que poderíamos chamar de “chupeta eletrônica”, neste sentindo a palavra dos pais passa a perder o seu poder para com os filhos.

Neste sentido, as experiências do brincar na contemporaneidade podem ser vistas muitas vezes como empobrecedoras em relação à constituição do sujeito, pois em meio ao universo tecnológico deixa-se muitas vezes, de tornar o ambiente emocionalmente significativo. A imaginação e a intenção de fantasiar aparecem apagadas, mergulhadas no virtual através das telas de computador e telefone.

Surreaux (2008, p. 117) acerca da relação entre as crianças e o uso dos eletrônicos afirma que “os efeitos na subjetivação ainda não foram totalmente mapeados, mas já se evidenciam repercussões bastante significativas nos processos de alfabetização, de leitura e de processamento da epistemofilia”.

Outra estudiosa sobre o tema, Meira (2003), refere a partir de pesquisa realizada nos EUA, que há uma hipótese de que alguns sintomas que estão sendo comuns na infância contemporânea, como os de hipercinesia, têm relação com o uso excessivo dos brinquedos artificiais, que priorizam da velocidade para funcionar. De acordo com a autora, atualmente, naquele país, já é constatado o efeito dos games sobre a atenção das crianças.

Não há como negar que a tecnologia faz parte do dia a dia de crianças, adolescentes e adultos, e que isso impacta diretamente no brincar, na relação na família e escola, porém a chave de tudo é o equilíbrio A maneira como os pais vão mediar o contato das crianças com esses recursos e com essa nova realidade é um cuidado que não existia até pouco tempo e rapidamente se tornou fundamental para favorecer o desenvolvimento saudável das crianças. É imprescindível que a família e a escola compreendam sempre a importância da brincadeira para a criança assim como suas implicações no desenvolvimento.

Se faz necessário pensar diante das novidades do nosso tempo, acerca de como as crianças estão se relacionando com o mundo virtual, assim como, a importância do resgate da função primordial do brincar para a constituição saudável do sujeito.

Convido aos pais, educadores, tios, tias a refletir sobre os recursos da tecnologia e as possibilidades de equilíbrio entre o brincar virtual e o brincar na vida real. A criança não pode virar a noite jogando no computador, deixar de comer para ficar com tablets e smartphones. Os responsáveis precisam supervisionar o conteúdo e o tempo que os pequenos usam aparelhos tecnológicos. A internet não pode ser mais importante do que interagir socialmente, e isso vale para adultos e crianças. É preciso interagir com filhos, participar da infância, brincar junto.

Ciana Dill

Psicóloga de crianças, adolescentes e adultos
Especialista em problemas do desenvolvimento na infância e adolescência | Formação em processos do luto e da perda
Fone (55) 99968-0733 | WhatsApp (55) 99161-7086
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Referências:

MEIRA, Ana Marta. Benjamin, os brinquedos e a infância contemporânea. Psicologia & Sociedade; v. 15, n. 2, jul/dez. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/psoc/v15n2/a06v15n2.pdf.> Acesso em: 11 Mai. 2017.

SURREAUX, Helena Ardaiz. O brincar na psicanálise e na vida. In: MELLO, Magda M. (Org.) Psicanálise de crianças: Escutas possíveis. São Leopoldo: Carta Ed., 2008.

 

 


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