O carma da violência contra a mulher - Agora Já -

O carma da violência contra a mulher

15 de agosto de 2018

Há muito tempo que as mulheres do mundo inteiro lutam pelo alcance de oportunidades igualitárias para participarem assiduamente da vida política, econômica e cultural de seus países. Não obstante, nossa sociedade ainda carrega a concepção de que o homem é superior e a mulher deve ser subalterna em seus relacionamentos. Esquecem que mesmo na Bíblia é citado que Deus criou a figura feminina de uma costela de Adão, permitindo assim a compreensão lógica de que ambos caminhem lado a lado.

Durante as últimas semanas, acompanhamos notícias de casos horrendos, que nos permitem refletir sobre a eficiência da lei e a conduta adotada pelas mulheres frente aos mais variados tipos de situações constrangedoras e perigosas às quais estão expostas.

De acordo com a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, conhecida como Convenção de Belém do Pará, a violência contra a mulher é definida como “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada” (Capítulo I, Artigo 1°).

O Brasil registra mais de 600 casos por dia, um número alarmante. Diferente de outros crimes, este acomete mulheres de todas as classes sociais, etnias e regiões brasileiras. Contudo, muitos avanços foram alcançados em termos de legislação desde a aprovação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), considerada pela ONU uma das três leis mais avançadas de enfrentamento à violência contra as mulheres do mundo.

A Lei 13.104/2015, também trouxe resultados interessantes, ao ponto que, alterou o Código Penal para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio e inclui o mesmo no rol dos crimes hediondos.

A pergunta que fica é: Somente a lei garante a preservação da integridade da mulher?

Confesso que não encontro uma resposta singular para essa pergunta, até porque, mesmo havendo um aprimoramento e enrijecimento da legislação, os crimes continuam acontecendo.

As mulheres se tornam reféns de relacionamentos possesivos e mesmo que consigam colocar um fim ao martírio de viver com homens arbitrários, ainda assim, sofrem ameaças e consequentemente, ficam a mercê da insegurança. Há aquelas que

permanecem caladas, muitas vezes por medo ou porque pensam na conveniência, nas dificuldades que enfrentariam se decidissem encarar seu opressor.

Para todos esses casos existe a lei, mas até que ponto isso é suficiente? Como combater a fúria e a força de um homem transtornado?

É óbvio que as campanhas de conscientização começando com as crianças e estendida a toda população é um importante revés. Assim como a mudança no pensamento de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, haja vista que, o silêncio de tantos já resultou no esmagador número de vítimas. Porém, casos como o das mulheres e tantos outros tipos de violência que temos visto, tem aberto mais do que nunca o questionamento a respeito do desarmamento.

Finalizo parafraseando Danilo Gentili: “A violência é a resposta de quem não tem razão”.


(55) 3375-8899, (55) 99118-5145, (55) 99119-9065

Entre em contato conosco

Copyright 2017 ® Agora Já - Todos os direitos reservados