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PIB gaúcho de 2020 tem queda de 7%, a maior da série histórica



Pandemia e estiagem são apontadas como responsáveis pela baixa. Recuo no Brasil foi menor, de 4,1%

Foto: DIOGO ZANATTA / Especial
18 de março de 2021

A pandemia e a estiagem derrubaram a economia gaúcha em 2020. Prejudicado pelos dois fatores, o Produto Interno Bruto (PIB) amargou queda de 7% no acumulado, indicam dados divulgados nesta quarta-feira (17). Trata-se da maior retração já verificada ao final de um ano na série histórica do indicador, iniciada em 2002.

O Departamento de Economia e Estatística (DEE) é responsável pelo cálculo. O órgão está vinculado à Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão.

Na largada de 2021, a economia sofre novamente com restrições geradas pela covid-19. Diante da piora na pandemia, analistas frisam que a retomada segura dos negócios depende do avanço da vacinação contra o coronavírus. A agropecuária, por sua vez, tende a apresentar melhora neste ano, o que deve beneficiar o Estado.

Na prática, o PIB serve como termômetro da atividade econômica. Ou seja, reflete a soma dos serviços e bens produzidos em determinada região. Em valores correntes, alcançou R$ 473,419 bilhões no Rio Grande do Sul em 2020 – o equivalente a 6,4% do PIB nacional.

Em termos percentuais, o tombo gaúcho foi maior do que o nacional. É que, em 2020, o PIB brasileiro caiu 4,1%. A baixa menor no país pode ser explicada, em parte, pela ausência de uma seca como a registrada nas lavouras do Estado.

– É a estiagem que explica a diferença – apontou o pesquisador do DEE Martinho Lazzari, durante a apresentação do levantamento.

Se serve de alívio para o Rio Grande do Sul, a economia local voltou a ter desempenho positivo nos últimos meses de 2020. Conforme o DEE, o PIB estadual subiu 2,7% no quarto trimestre do ano passado, frente aos três meses imediatamente anteriores. Foi a segunda alta consecutiva nessa base de comparação.

Por outro lado, se comparada a igual período de 2019, a economia gaúcha seguiu no vermelho. Ante o quarto trimestre do ano anterior, o PIB caiu 2,1%.

Agropecuária tem maior baixa 

Entre os três grandes setores pesquisados, aquele com o maior tombo em 2020 foi a agropecuária. Com a escassez de chuva, o campo despencou 29,6% no acumulado do ano. Entre os principais produtos agrícolas, a maior queda foi da soja, de 38,9%. Milho, fumo e trigo também ficaram no vermelho.

A indústria, outro grande setor avaliado, tampouco escapou das perdas. No ano, encolheu 5,8%. Dentro do segmento fabril, o ramo de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana teve a maior retração, de 13,7%. Essa atividade contempla a geração de energia elétrica, também abalada pela seca, que reduziu os níveis em usinas hidrelétricas.

A construção foi outro ramo industrial que patinou em 2020, com recuo de 8,1%. A indústria de transformação veio na sequência, com redução de 3,9%, puxada pelo tombo das fábricas de couro, calçados e veículos automotores.

Por fim, o terceiro grande setor pesquisado, o de serviços, caiu 4,8%. O ramo de outros serviços teve a principal baixa, de 12%. O grupo contempla, por exemplo, atividades de turismo e restaurantes, atingidas em cheio pelas restrições da pandemia. O comércio, também dentro do setor de serviços, recuou 5,4%.

– O desempenho do PIB do ano passado foi frustrante, mas já era esperado. Além dos efeitos da pandemia, houve uma forte estiagem durante o verão – afirma o economista Gustavo Inácio de Moraes, professor da Escola de Negócios da PUCRS.

Nesta quarta-feira, o DEE também apresentou simulação de como ficaria o PIB gaúcho de 2020 sem os prejuízos da seca. Conforme o órgão, a estiagem tirou 2,7 pontos percentuais do indicador. O cálculo leva em consideração os impactos nas lavouras e em atividades como geração de energia elétrica. Sem as perdas, o PIB local teria caído 4,3%, em patamar próximo à redução de 4,1% no Brasil.

Estímulos e ameaças em 2021

Após cair 7% no ano passado, a economia gaúcha inicia 2021 em meio a possíveis estímulos e ameaças. A agropecuária caminha para registrar avanço, recuperando perdas da última estiagem, o que favorece o PIB local.

Na contramão, a piora recente da pandemia provoca restrições a atividades. Sem grande avanço na vacinação, o quadro sanitário joga contra setores como serviços e indústria.

– A pandemia recrudesceu, vamos ter de acompanhar os indicadores. Deixou de ser um risco. Hoje, é uma realidade – analisou o pesquisador do DEE Martinho Lazzari. – Existia o risco de nova estiagem, talvez não tão forte quanto a anterior, mas hoje podemos dizer que esses efeitos ficaram mais restritos ao final do ano passado. A ótima notícia é que a soja deve ter crescimento bastante positivo – acrescentou.

Na visão do pesquisador, a retomada do auxílio emergencial, mesmo com o valor reduzido, pode gerar reflexos positivos no Rio Grande do Sul. Em 2020, o benefício, pago pelo governo federal, estimulou a compra de produtos como alimentos.

Presente na divulgação do PIB de 2020, o secretário estadual de Planejamento, Governança e Gestão, Claudio Gastal, lembrou que o Piratini também estuda criar um tipo de auxílio. Ao final da apresentação, Gastal fez apelo para que a população respeite medidas sanitárias contra o coronavírus.

Na visão do economista Gustavo Inácio de Moraes, professor da Escola de Negócios da PUCRS, o PIB gaúcho fechará 2021 com desempenho positivo, mas aquém do esperado inicialmente, devido à piora da pandemia. Segundo ele, a recuperação total das perdas geradas pela crise ainda não deve ocorrer neste ano.

– Não vemos um cenário de queda para o PIB gaúcho em 2021. Mas o crescimento deve ser menor – pondera o professor.

 

*Fonte: GaúchaZH


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