Por que os custos com fertilizantes põem produtor em alerta - Agora Já -

Por que os custos com fertilizantes põem produtor em alerta



Com oferta garantida à próxima safra, atenção recai sobre o preço do insumo, vilão da inflação de 41% acumulada nos últimos 12 meses no campo

Foto: Wenderson Araújo / Trilux / CNA
5 de junho de 2022

Às vésperas do anúncio do Plano Safra 2022/2023, que financiará o ciclo de 1º de julho de 2022 a 30 de junho de 2023, o setor produtivo aguarda, com apreensão, o comportamento do mercado de fertilizantes. Depois de obter garantia quanto à disponibilidade do insumo, a preocupação, agora, concentra-se no planejamento da próxima safra de grãos. Conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), de janeiro de 2020 a março deste ano, os preços nominais dos principais fertilizantes usados no Brasil tiveram alta de 288%.

Para o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Antônio da Luz, o maior problema está na defasagem financeira acumulada pelo setor desde 2021. “Ano passado, enquanto a inflação ao consumidor subiu 8%, ao produtor, saltou 51%”, explica. Conforme a Farsul, no acumulado de 12 meses entre abril de 2021 e abril de 2022, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICCP) teve elevação de 41%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 12%. “Se fôssemos plantar e colher a safra 2023 hoje, precisaríamos vender a saca de arroz a R$ 83,00 para empatar com o custo de produção, mas o valor está na casa dos R$ 76,00. Ou seja, já começaríamos a plantar com prejuízo e teríamos de contar com a sorte”, detalha.

A analista de mercado da Safras & Mercado Maísa Romanello afirma que os estoques de fertilizantes estão lotando os portos brasileiros, pois não há, no momento, liquidez para as cargas. “Não está ocorrendo o escoamento que se imaginava porque os compradores esperam pela queda nos preços para começar a negociar”, destaca. A maior preocupação é o KCL (cloreto de potássio), cujo preço tende a permanecer alto. “Não adianta ter a disponibilidade de fertilizantes se a compra for inviável. O preço subiu de elevador e está descendo de escada”, ressalta Da Luz.

Ao salientar que as importações, de janeiro a abril, foram 6% superiores às do mesmo período de 2021, o diretor executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Ricardo Tortorella, afirma que o Brasil comprou 12,4 milhões de toneladas de potássio no ano passado, sendo 2,2 milhões de t da Bielorrúsia e 3,4 milhões de t da Rússia. “Vários esforços estão sendo feitos para buscar novos fornecedores, como Canadá, Jordânia, Egito e outros países da África e do Oriente Médio”, detalha. Tortorella ressalta ainda que o Brasil produz apenas 15% dos fertilizantes que consume. “Por isso, sofre o efeito impacto dos aumentos globais”, pontua.

 

*Fonte: Correio do Povo


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