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Relacionamentos abusivos e a violência contra mulher. Vamos falar sobre isso?

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10 de agosto de 2017

Nós mulheres estamos entre as principais vítimas de violência doméstica e os dados são alarmantes. Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a principal causa de morte de jovens entre 5 e 19 anos, totalizando milhares de mulheres vítimas de violência domestica. A violência está presente desde os primórdios e é hoje considerado um problema universal que atinge milhares de pessoas. A triste realidade de mulheres assassinadas e agredidas ilustra o extremo de onde uma relação abusiva pode chegar.

A violência contra a mulher não costuma obedecer nível social, econômico, religioso ou cultural específico. O fenômeno da violência é global e tem ligação com as relações de poder mediadas por uma ordem patriarcal que é proeminente na sociedade, a qual atribui aos homens o direito a dominar e controlar suas mulheres, podendo assim achar que podem fazer uso da violência.

Na década de 90 com os movimentos feministas a luta contra a violência foi ganhando impulso. No Brasil, há 10 anos entrou em vigor a lei 11.340/2006 conhecida como Lei Maria da Penha que começou a mudar a forma de tratamento dos casos das mulher vitimas de violência no pais. A lei leva o nome da farmacêutica bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes que ficou paraplégica devido a um tiro disparado pelo seu marido na época. Apesar dos avanços da lei, ainda é preciso pensar formas mais eficazes de prevenção e criação de mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Este problema social grave que faz milhares de vítimas todos os anos, causa sofrimento psíquico indescritível às vítimas e os principais agressores são os maridos, namorados ou os próprios familiares. Os relacionamentos abusivos e violentos podem começar, muitas vezes, de forma sutil e fazem com que a vitima tenha dificuldades em reconhecer a violência. É uma relação que machuca, fere emocionalmente e/ou fisicamente.

Quando falamos sobre violência devemos pensar que esta engloba múltiplas formas. Falamos de agressão psicológica, emocional, sexual, ou outras que visem afetar o outro e, de alguma forma constranger, humilhar, manipular, chantagear, explorar ou, ainda, limitar o direito de ir e vir. A agressão pode ocorrer de forma explícita, porém na grande maioria das vezes acontece de forma silenciosa, dissimuladamente velada o que dificulta seu enfrentamento.

Diferente do que se imagina não precisa haver agressão física para estar sendo vítima de violência, a violência psicológica é a forma tão grave quando a física. Prejudica a mulher da sua autoestima, afetando negativamente a saúde emocional, afetiva, social, cognitiva, o sentimento de segurança. As manifestações físicas podem gerar inflamações, contusões, hematomas, ou crônicas, deixando sequelas para toda a vida, como deficiências, limitações no movimento motor, traumatismos, entre outras.

Dentre os sintomas psicológicos encontrados em mulheres vítimas de violência pode-se citar: insônia, falta de concentração, irritabilidade, falta de apetite, problemas mentais como a depressão, ansiedade, síndrome do pânico, comportamentos autodestrutivos, tentativas de suicídio.

A demora em romper um relacionamento violento e abusivo gera consequências e podem ser vários os fatores que motivam a passividade e demora feminina frente à violência, pode-se citar, por exemplo: Medo do agressor, dependência afetiva e/ou financeira, preocupação com os filhos, acreditar que seria a ultima vez ou ainda ser aconselhada a não denunciar, vergonha, falta de autoestima, de conhecimento dos seus direitos, dentre outros.

O agressor normalmente também faz uso de estratégias para fazer com que a parceira se sinta acuada e insegura. É preciso que a luta contra a violência ganhe cada vez mais força e que as mulheres tenham um espaço para acolhimento.

O psicólogo pode ajudar as mulheres que vivem estes relacionamentos através da busca de seu fortalecimento e empoderamento, no alívio do sofrimento psíquico e na descoberta do que é uma relação mais saudável. O atendimento é um espaço de escuta que auxilia a mulher a se proteger da violência e na reflexão do que lhe mantem nesta relação.

É importante que ambos busquem ajuda, por isso o trabalho do psicólogo não é somente para as mulheres. Os homens também podem buscar ajuda através de um acompanhamento psicológico. Aquele que agride possui muitas vezes sentimento de posse em relação a outra pessoa, comportamentos agressivos, descontrole, ciúme doentio que precisam de tratamento. Para além do psicólogo e de outros profissionais, apoio familiar, dos amigos e conhecidos é essencial, pois no momento que há uma relação rompida é importante criar laços que lhe façam sentir acolhida.

Todo casal se une por um determinado tipo de vínculo. O vínculo nestas relações significa estar disponível para dar e receber sentimentos entre ambos. Mas este dar e receber requer um equilíbrio, ou seja, nenhum dos dois está em primeiro lugar, ou é inferior ou superior. Ambos serão importantes para a construção de um relacionamento saudável.

Se o casal conseguir resolver os conflitos de forma equilibrada e respeitosa a relação poderá mudar, porém nem sempre isso é possível. Na grande maioria dos casos observa-se o ciclo da violência se repetir incessantemente, às vezes por longos anos. Por isso, em qualquer relacionamento abusivo, será fundamental buscar saber quando o termino será uma alternativa, ou quando é hora de buscar ajuda.

A violência contra a mulher nunca deverá ser passível de naturalização ou justificativa para ser praticada. Independente do modo como o fenômeno da violência se configura em cada família, em todos os casos trará prejuízos à vítima e á família. Assim, primeiramente o foco deverá sempre a busca de proteção da saúde desta mulher.

Importante divulgar também, que o nosso município conta com um Centro de Referência da Mulher, espaço importante para a nossa comunidade com acesso gratuito para todas as mulheres que necessitarem de assistência em qualquer situação de violência.

Ciana Dill

Psicóloga | CRP 07/23963

Psicóloga de crianças, adolescentes e adultos

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