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Resquícios de uma greve

3 de junho de 2018

A greve dos caminhoneiros, sem dúvidas, foi uma demonstração da grandeza e organização da classe. Uma paralisação legítima, em virtude do disparate do governo em abusar do trabalhador através da alta carga tributária.

No início, como bem sabemos, as manifestações estavam pautadas essencialmente na redução no preço do óleo diesel, já que os motoristas consideram que o preço se tornava um fator agravante na inviabilização do transporte de mercadorias no país. Nesse sentido, uma das solicitações era para que o governo alterasse a regra de reajustes no preço dos produtos, que atualmente varia dependendo das cotações internacionais do dólar e barril de petróleo.

Outra reivindicação era pelo fim das alíquotas de PIS (Programa de Intervenção Social) e de Cofins (Contribuição para o Orçamento da Seguridade Social), assim como a isenção da Cide para transportadores autônomos. Ademais, a categoria solicitou a redução de pedágios em caso de eixos dos veículos estarem suspensos, a criação de um marco regulatório para os caminhoneiros e a aprovação de um projeto de lei que estabelece preços mínimos para o frete.

Bem como já citado, as paralizações foram autênticas, tanto quanto a luta, por exemplo, dos professores em busca de valorização e melhores salários. Todavia, o fato curioso (mas que não causa estranheza), é a aderência da população, a qual não se evidencia quando se trata de outras categorias, pelo menos não com essa veemência.

A questão é que a sociedade enxerga no caminhoneiro um herói, porque queira ou não, são eles que dão mobilidade ao país e por mais insano que possa parecer, muitos de nós vivem em uma espécie de conto de fadas, onde acreditam que uma força superior poderá nos libertar do infortúnio que se instalou no Brasil.

O brasileiro está cansado de tanto pagar as contas do governo. Somos um dos países com a maior carga tributária do mundo e somada com os escândalos de corrupção, era iminente que isso que vimos em 10 dias, iria acontecer.

Entretanto, por mais que o movimento teve a adesão massiva da sociedade, com o passar dos dias, isso foi se perdendo, muito porque a pauta padeceu ao abrir precedentes para reivindicações difusas e pela infiltração de pessoas mal intencionadas.

Outrossim, a greve impactou em cheio a economia, que já apresentava sinais de desgaste, e isso fez muita gente perceber que não é quebrando o Brasil que as coisas irão melhorar. Ainda mais que, em quatro meses a população terá a chance de, através das urnas, escolher representantes que irão ao encontro das demandas de uma nação defasada. Doravante, esse movimento servirá, entre muitas coisas, para deixar os candidatos em estado de alerta.

Finalizo parafraseando Charles Tocqueville: “O momento mais perigoso, para um mau governo, é normalmente aquele em que começa a remodelar-se”.


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