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Saldo de uma Copa

18 de julho de 2018

A Copa do Mundo chegou ao fim e rendeu um bom repertório nos trending topics. Começando com as polêmicas envolvendo o comportamento do jogador Neymar, bem como a postura indigna dos brasileiros machistas, passando pela funcionária pública que viajou para a Rússia deixando seu cartão-ponto preenchido e no oposto, a presidente exemplar da Croácia que assistiu aos jogos custeando seus gastos e de quebra, revelando que os dias de lazer serão descontados de seu salário.

Mas o que mais chamou a atenção, durante a vitória da Seleção da França, foram os comentários a cerca das origens dos jogadores franceses, majoritariamente descendentes de africanos. Bastou o juiz apitar o fim da partida para as redes sociais serem tomadas com charges e comentários aludindo a vitória aos africanos.

Será que as pessoas não sabem que a França, assim como o Brasil, é um país miscigenado? Será que não percebem que ao tecer esse tipo de escólio estão enfatizando o racismo e vitimismo? Os jogadores são FRANCESES (natos ou naturalizados) e defenderam sua nação com afinco, o resultado foi o levantamento da taça.

Vale ressaltar que a seleção francesa é multiétnica e tem suas raízes em 17 países. Há imigrantes, filhos de imigrantes e mais de uma dezena de nações abarcadas como: Filipinas, Mali, Mauritânia, Senegal, Argélia, Itália, República Democrática do Congo, Haiti, Angola, Camarões, Guiné, Marrocos, Togo e Martinica e Guadalupe.

Segundo o jornalista francês e comentarista de futebol pelo ESPN, Stéphane Darmani, a França é o país nação que mais tem jogadores na Copa, isso porque esses jogadores são franceses, se formam na França e vão jogar por outros países. “Ninguém fala isso aqui no Brasil”. Em um levantamento do jornalista Rodolfo Rodrigues, são 20 jogadores franceses fora da seleção nacional, um recorde entre todos os outros países que disputaram o mundial da Rússia.

Todo esse enredo serve para elucidar os fatos e enfatizar que sim, a França ganhou a Copa tendo em seu elenco jogadores franceses miscigenados. Ponto! Eles escolheram ser franceses, bem como, o técnico Didier Deschamps, defendeu.

Promover esse tipo de discussão a cerca da origem dos jogadores, serve apenas para causar polêmica e realçar o racismo, sendo assim, desnecessário. Muito desnecessário! Finalizo parafraseando Martin Luther King: “Não importa a cor quando duas mãos estão juntas projetando a mesma sombra”.


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