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Sobre não dar perguntas a certas respostas (certezas)

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15 de março de 2018

Uma das coisas que me ocorre quando penso no legado (ao menos para mim) como o do cientista Stephen Hawking, falecido essa semana, é que não devemos dar perguntas a certas respostas, especialmente quando estas são verdades inegociáveis pelos que as detêm ou as formulam.  Acredito que vocês sabem que não é de física quântica e nem de metafísica que estou tratando. Falo de coisas bem mais “terrenas”, quando contrastadas, tanto com a física, quanto com a metafisica. Dito de outra forma, estou pensando nos assuntos da economia e ainda de uma forma relativamente simples.

Vou voltar ao assunto em outra oportunidade. Por hora, ficamos com a “verdade”, que alguns chamam de história, ou de comportamento empírico, sobre o efeito recente dos salários na China e no Brasil. Inicialmente dizemos, de forma emprestada do profeta Isaías que “a paz é fruto da justiça”. Pois bem, a China de hoje e o Brasil até o golpe, estavam promovendo a paz através da justiça social, com a inclusão dos pobres na renda do Produto Interno Bruto – PIB. A China que outrora era conhecida pelos baixos salários hoje tem um círculo virtuoso onde bons salários ampliam o mercado interno. O Brasil, a seu modo, também com valorização dos salários estava no mesmo caminho.

O golpe que desempregou, inicialmente ao quebrar ou permitir o total desinvestimento das grandes empresas nacionais e em cascata todas as cadeias produtivas, com exceção do agricultura ainda que com destaque, com relativa capacidade de dinamizar o conjunto da economia brasileira, criou um círculo vicioso onde quem não tem salário não compra e quem tem desconfia de que o futuro será pior.

Quem atacou o emprego brasileiro foi a elite rentista que vendem aqui a ilusão do liberalismo que não é praticado nos países que a pregam. O economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, lembra que “Qualquer país que queira se desenvolver precisa ter um certo nacionalismo econômico. Os países ricos sempre tiveram e continuam tendo. Falam mal do nacionalismo, defendem o liberalismo internacionalista, a cooperação entre os países de todo mundo. E defendem fortemente e firmemente os interesses de sua nação. Todos fazem isso”.

Não existe paz no rentismo. A concentração do capital é sempre excludente e as pessoas pagam juros no presente e comprometem ainda mais o futuro. Também não existe a paz das armas. Os exércitos nacionais não podem trazer a paz pois são apenas agentes de repressão quando usados contra os civis. Há ainda assim a necessidade de um programa econômico que inclua as pessoas. As ditaduras militares não têm exemplo para dar de paz econômica.

O Brasil precisa encontrar a justiça social para ter paz. Há neste caminho os espinhos do rentismo que aqui atendem pela própria banca financeira, mas contam com o forte aparato judiciário-midiático. As exceções no meio do poder judiciário, só confirmam a regra de que este é o poder mais corrupto e não está a serviço da justiça. O caminho é tortuoso e com espinhos. Mas, importa caminhar…

Natanael Mücke
Economista – CRE-RS 6593
(55) 3321 1300 – 1314 
Secretaria de Planejamento e Finanças de Cruz Alta


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