Transparência Internacional destaca ação de Dilma Rousseff contra a corrupção - Agora Já -

Transparência Internacional destaca ação de Dilma Rousseff contra a corrupção

1 de dezembro de 2011

O diretor para a América Latina da Transparência Internacional (TI), Alejandro Salas, destacou na quarta-feira o trabalho da presidente Dilma Rousseff no combate à corrupção, em uma região cada vez menos resignada a viver sob governos corruptos.
Salas estimou que há “uma vontade política de alto nível” para expor “os problemas sob o tapete” no Brasil, onde a presidente Dilma já se livrou de cinco ministros e tem mais um na mira (Carlos Lupi, ministro do trabalho) devido a escândalos de corrupção. — É um ótimo exemplo, muito positivo, pois há um castigo administrativo, mas é preciso ver a longo prazo se vai haver punição ou impunidade. Se a Justiça vai estar a altura das circunstâncias e se vão investigar para que os culpados tenham o devido processo.
Segundo o diretor do Transparência Internacional, organização não-governamental com sede em Berlim, no Brasil ainda coexistem “vários mundos, com setores muito abertos que se inserem no sistema global e jogam pelas regras estabelecidas”, e outros, em âmbitos regionais, baseados em práticas e estruturas do poder “centenárias”, como a compra de votos, nepotismo e caciquismo.
Em uma escala de percepção da corrupção que engloba 182 países, o Brasil ocupa o 73º lugar, entre o Chile, o melhor dos latino-americanos, em 22º, e a Venezuela, o pior, em 172º.
No caso da Venezuela, Salas destaca que seu “governo central muito forte limita de maneira importante a autonomia das demais instituições”, como ocorre “quando se tem um Poder Judiciário submetido à autoridade central” ou “autoridades eleitorais vinculadas às autoridades políticas”, o que é “um campo muito fértil” para a corrupção.
A “exceção” a esta regra parece ser Cuba, que caiu em um ano da 69ª para a 61ª posição, e isto pode ser atribuído a diversos fatores, a começar pelo fato de que a ilha “não tem instituições democráticas, mas há uma institucionalidade forte e uma hierarquia que controla e domina estas instituições”.
No México (100º), onde também persistem estrututas de poder “centenárias”, como compra de votos e nepotismo, o PRI, que governou de maneira absoluta durante sete décadas, poderá voltar ao poder em 2012, após as reformas implementadas pelo PAN para combater a corrupção, mas que frustraram as expectativas sobre o “castigo para os corruptos”.
Para Salas,é difícil prever o que ocorrerá com a volta do PRI, mas ele não acredita na possibilidade “do retorno dos velhos costumes”.
— A população obteve importantes avanços, exige coisas diferentes, e mesmo que o velho PRI chegue ao poder, será quase impossível reverter tais conquistas — disse.
— Por outro lado, me preocupa um pouco que para muitos mexicanos existe a ideia de que quando o PRI voltar ao poder, a questão do narcotráfico e da segurança será resolvida no país — concluiu Alejandro Salas.


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