Uma vergonha brasileira: O caso Lula - Agora Já -

Uma vergonha brasileira: O caso Lula

13 de abril de 2018

O desfecho do caso do tríplex do Guarujá, que envolve o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e a empreiteira OAS, elencado como um dos principais e mais aguardados epílogos da Operação Lava-jato, finalmente teve seu “grand finale”, ou pelo menos, quase, observando a série de recursos e “enrolações” que a justiça permite.

No momento o fato é: Lula foi julgado e está “pagando” por sua conduta maculada. Para muitos, motivo de comemoração, para outros, o cúmulo da injustiça. Entretanto, não há motivo algum para comemorar, tão pouco lamentar, uma vez que, toda essa história de corrupção (que é mais velha que o Brasil), alçada pela operação Lava-Jato e culminada com a prisão de um ex-chefe de Estado, é um demérito ao país.

O Brasil está no alvo dos noticiários do mundo inteiro pela prisão de Lula. Que vantagem se vê nisso? Estamos expostos ao labéu! Penso que a prisão, talvez, tenha sido mesmo precipitada, olhando pelo ângulo da sentença que ainda não transita em julgado e que de fato, havia prazo para os embargos dos embargos (a tal patologia protelatória que deve ser revista para não deixar margem para precedentes).

Ainda assim, o exagero impetrado pela militância dos correligionários e simpatizantes, com o já conhecido discurso vitimista, está ultrajado pelo povo brasileiro. Foi só o Juiz Sérgio Moro decretar a prisão que uma enxurrada de críticas e discursos metodicamente estruturados na perseguição a Lula tomou conta das redes sociais.

Os grandes feitos do ex-presidente podem ter marcado a história, mas a que custo? O que foi bom ficará como legado, mas os erros devem ser corrigidos. Não é possível que duas instâncias judiciárias estejam equivocadas e usando de perseguição política. Tem vezes que as evidências dispensam as provas objetivas, muito embora os desembargadores do TRF-4 elucidaram muito bem seus embasamentos para a condenação.

O caso do ex-presidente é uma prova de que ninguém está acima da lei e o que vale para um, vale para todos. A colocação do ministro Luís Roberto Barroso, ao dizer que o Direito brasileiro é feito

para prender menino pobre com 100 gramas de maconha, foi muito pertinente e inteligente. Temos ainda um longo chão pela frente, mas a conduta do Supremo Tribunal Federal (considerando a maioria que indeferiu o Habeas Corpus) permite-nos acreditar que estamos caminhando na luz da justiça.

O Brasil está vivendo alguns dos piores anos de sua história, especialmente, quando falamos no período recente da democracia. São dois presidentes impeachmados e agora, um preso. Reforço o que falava no início do texto, não há nenhuma vantagem nisso, contudo, penso que é um mal necessário para que a história tome seu curso pautado em uma democracia sólida, onde soberano seja somente o Estado e não os políticos.

Às vezes me questiono se os próprios políticos sabem distinguir Estado de Governo, porque o que vimos até hoje foi uma alternância no poder de pessoas comprometidas em garantir seus interesses e não os da sociedade.

Finalizo parafraseando Barão de Montesquieu: “A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”.


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