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Vacina contra covid, agenda de reformas e contas públicas: o que deve impactar a bolsa de valores em 2021



Principal índice da B3, Ibovespa teve alta de quase 3% em 2020

Foto: Nelson ALMEIDA / AFP
4 de janeiro de 2021

Depois de a bolsa de valores de São Paulo (B3) subir quase 3% em 2020, investidores iniciam 2021 de olho em uma combinação de pelo menos dois fatores. Na visão de analistas, o processo de vacinação contra a covid-19 e o cenário para a agenda de reformas e o quadro fiscal brasileiro devem impactar o humor do mercado financeiro na largada deste ano. Ou seja, novidades relacionadas a esses assuntos tendem a puxar para cima ou para baixo o desempenho da bolsa ao longo dos próximos meses.

Nesta segunda-feira (4), na primeira sessão de 2021, o Ibovespa, principal índice da B3, recuou 0,14%, para 118.854 pontos. O indicador reúne as ações das empresas que respondem pelo maior volume de negociação na bolsa. Em 2020, o Ibovespa avançou 2,9%, ao alcançar 119.017 pontos na quarta-feira (30) — último dia de operação no ano passado.

O dólar, por sua vez, abriu 2021 em alta. Finalizou a sessão desta segunda-feira com elevação de 1,53%, cotado a R$ 5,268 na venda. Em 2020, a moeda americana disparou 29,3% na comparação com o real.

A imunização contra o coronavírus, ainda incerta no Brasil, é condição necessária para destravar setores da economia que dependem da circulação de pessoas — entre eles, serviços de alimentação, hospedagem e turismo. Logo, a eventual melhora na crise sanitária tende a causar reflexos positivos no mercado financeiro.

— Há uma expectativa elevada sobre o processo de vacinação, embora ainda exista preocupação com a pandemia. Vimos o início do processo de imunização em massa na Europa e, agora, na América Latina. O Brasil ficou para trás, mas pode se recuperar. O mais importante, neste momento, é a vacina. Sem ela, vamos continuar patinando, empresas ainda vão sofrer, incluindo o setor de serviços — observa Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating.

Investidores também continuam atentos ao cenário fiscal, porque o Brasil atravessa momento de penúria nas contas públicas. Com a chegada da pandemia, o governo federal teve de elevar gastos para mitigar prejuízos de empresas e famílias. O efeito colateral foi o aumento da dívida pública.

Diante da situação, o mercado vê na agenda de reformas uma opção para conter o buraco nas finanças do país e melhorar o ambiente de negócios. Contudo, projetos dessa natureza vêm esbarrando em uma série de dificuldades.

— Para a bolsa, em 2021, o principal ponto é o das contas públicas. Vamos ver qual será o sinal de disciplina fiscal no país. Antes da pandemia, a situação já estava bastante delicada — frisa Valter Bianchi Filho, sócio-fundador da Fundamenta Investimentos. — A vacina também é um ponto importante. O coronavírus deixa a economia travada — acrescenta.

Para analistas, o andamento da agenda de reformas depende, em parte, do resultado das eleições no Congresso. A escolha dos novos presidentes da Câmara e do Senado está marcada para 1º de fevereiro.

— Só a partir das eleições teremos clareza se o Congresso será mais favorável ou contrário a pautas do governo — diz Agostini.

Na definição do economista, o cenário para a bolsa, em 2021, é de “otimismo comedido”, dado o desafio fiscal no país. No ano passado, os investidores enfrentaram uma verdadeira montanha-russa na B3.

No início da pandemia, a preocupação tomou conta do mercado, e o Ibovespa desabou. Em março, o índice chegou a cair para faixa próxima de 60 mil pontos. Tensões políticas envolvendo o governo federal, que teve saída de ministros, também azedaram o humor de investidores no primeiro semestre. Em seguida, o Ibovespa iniciou recuperação em meio à reabertura da economia e ao desenvolvimento de vacinas contra a covid-19.

— 2020 foi um ano em que a astúcia do investidor foi colocada à prova — descreve Bianchi Filho.

Para entender

O que é a bolsa de valores?
É o espaço em que investidores podem comprar e vender ações de empresas. No Brasil, a bolsa que está em operação é a B3 (anteriormente chamada de Bovespa), com sede em São Paulo.

Como investir na bolsa?
É preciso que o interessado se cadastre em uma corretora registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Assim, pode abrir uma conta para iniciar as aplicações.

O que são as ações?
São pequenas partes de uma empresa. Ao abrir seu capital, uma companhia o divide em várias ações, oferecidas na bolsa a possíveis investidores. Quanto mais papéis eles comprarem, maior será a parcela na empresa.

Quais são os tipos de ações?
-Ordinárias: 
dão direito a voto em assembleias que debatem os rumos das empresas.
-Preferenciais: não concedem direito a voto em assembleias, mas garantem preferência no recebimento de dividendos – parcelas do lucro das companhias.

Há valor mínimo de investimento?
Não. A quantia varia em cada caso, dependendo, por exemplo, do preço das ações de cada empresa.

O que é o índice Ibovespa?
É o principal índice da bolsa. Sua variação é calculada com base no desempenho das ações de grandes empresas listadas no mercado brasileiro. Quando se diz que a bolsa teve alta de 1% ao final de uma sessão, é porque o valor do Ibovespa, em pontos, também aumentou 1%.

Há riscos nos investimentos?
Sim. Investir na bolsa tem riscos. Ações de empresas podem resultar em maiores rendimentos do que opções de renda fixa, como a poupança, mas também há chance de perdas. Por quê? Em um dia, os papéis de uma companhia podem registrar alta expressiva e, na sessão seguinte, cair em igual magnitude. O sobe e desce é conhecido como volatilidade.

 

*Fonte: GaúchaZH


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