Corporação abriu um inquérito interno para apurar as circunstâncias do caso. Vítima registrou ocorrência junto à Polícia Civil
Em Erechim, no norte do RS, uma mulher afirma que foi agredida durante abordagem policial no último dia 2 de julho, no bairro Linho. A denúncia é apurada internamente pela Brigada Militar.
Conforme a faxineira Marileide Puma, ela estava na frente de casa queimando entulhos, próximo à calçada, quando dois policiais militares chegaram. Segundo o relato, os brigadianos teriam gritado e ofendido a vítima, que reagiu, foi algemada e encaminhada à delegacia em uma viatura.
— Foi porque eu tinha botado fogo no mato do lado de casa, no pátio da casa. Não deu certo, entrei pra pegar a mangueira e, quando eu vi, eles entraram. Corri, porque achei que era um bandido. Quando eu corri, um me pegou pelo braço, o outro me pegou pelo pescoço, me algemaram e imediatamente começaram a bater na minha cara — contou a faxineira.
No trajeto, Marileide teria sido ameaçada e agredida com socos no rosto, apresentando lesões na região de um dos olhos. Ao chegar na delegacia, a mulher se recusou a assinar a ocorrência por não concordar com o que estava escrito.
— Fomos pra delegacia, eu algemada, completamente sem poder me defender. Pedi pra ir fazer corpo de delito no hospital, aí eles me deram mais dois tapas na cara. Me levaram, li a ocorrência e me recusei a assinar — relembrou.
Ela voltou para casa e, no dia seguinte, decidiu retornar à delegacia para registrar um boletim de ocorrência contra os policiais militares envolvidos na abordagem. Um exame de corpo de delito feito pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou que Marilene apresentava lesões no rosto e no braço esquerdo.
— Eu espero que façam justiça. Tirar essas pessoas para que não façam (mal) aos outros — disse a vítima.
O comandante do 13º Batalhão de Polícia Militar de Erechim, coronel André Konigonis, informou que a corporação abriu um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias da ocorrência.
— Comunicamos o nosso escalão superior e o Comando Regional Norte. Se houve a agressão, não é o procedimento padrão. Isso tudo quem vai dizer é o inquérito que, quando concluído, vai trazer à luz essas informações — explicou.
O prazo para a conclusão do inquérito militar é de 60 dias. A Brigada Militar não informou o nome dos policiais investigados, que, por enquanto, seguem atuando normalmente.
Como Marilene registrou um boletim de ocorrência, a Polícia Civil também investiga o caso.