Gerente, sua esposa e um funcionário do banco foram presos pela Polícia Civil. Grupo é suspeito de usar dados de idosos e falecidos para realizar empréstimos
Foto: Operação Digital Fantasma foi deflagrada nesta terça-feira (20).
Polícia Civil / Divulgação A fraude bancária que movimentou mais de R$ 2,4 milhões em Palmeira das Missões, no norte do Estado, envolvia alteração de dados cadastrais das vítimas, leitores biométricos para simular a presença dos clientes e até o uso de disfarces para o saque dos valores em dinheiro.
A Polícia Civil deflagrou a Operação Digital Fantasma na manhã desta terça-feira (20) contra o gerente-geral e um funcionário do Banco Bradesco de Palmeira das Missões e Caçapava do Sul, na Região Central. A esposa do gerente também teve a prisão decretada por suspeita de fraude.
A investigação do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) aponta que o grupo teria utilizado dados de idosos, alguns com mais de 80 anos e até de pessoas já falecidas para realizar empréstimos. Os clientes não foram prejudicados, pois o banco considerou nulos esses contratos, conforme o delegado João Vitor Herédia.
Em nota, o Bradesco disse que “está contribuindo com a autoridade competente para a apuração dos fatos e esclarece que segue rígido código de conta ética corporativo”.
A ação cumpriu três mandados de prisão preventiva em Palmeira das Missões e buscou documentos em Caçapava do Sul, na Região Central. Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros dos envolvidos.
O esquema, que teria operado por pelo menos seis meses no segundo semestre do ano passado, foi descoberto depois que o próprio banco detectou movimentações financeiras atípicas e procurou a Polícia Civil. Foram identificadas sete vítimas, incluindo a própria instituição bancária lesada.

Segundo a investigação, o gerente-geral atuava como mentor intelectual e chancelava as fraudes. Ele alterava dados cadastrais das vítimas, atribuindo-lhes rendas milionárias para elevar a capacidade de crédito.
Em seguida, o operador de sistema inseria a própria digital em leitores biométricos, simulando a presença dos clientes, e modificava os cadastros para incluir a informação de que eram analfabetos — uma forma de driblar a necessidade de assinatura física.
Assim, eram realizados empréstimos pessoais sem o conhecimento das vítimas.
Os valores obtidos eram sacados em espécie, muitas vezes pela esposa do gerente, que, conforme a investigação, chegava a usar disfarces como moletom e capuz para não ser identificada. No total, R$ 1,4 milhão em dinheiro foi sacado. Familiares também participavam da logística de saque e lavagem dos valores.
— A instituição financeira conseguiu detectar essas movimentações atípicas entre as contas das vítimas e dos funcionários. A partir daí, eles fizeram um trabalho de interlocução com a polícia, que permitiu a identificação dos responsáveis por essas transações fraudulentas — explicou o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
A ação leva o nome de Digital Fantasma em alusão ao modo de agir do grupo criminoso, que fazia uso da biometria para se passar pelos clientes idosos de contas inativas.
(55) 3375-8899, (55) 99118-5145, (55) 99119-9065