Caso família Aguiar: ouça áudios feitos com IA por policial militar suspeito de matar ex-mulher e os pais dela - Agora Já -

Caso família Aguiar: ouça áudios feitos com IA por policial militar suspeito de matar ex-mulher e os pais dela



Cristiano Domingues Francisco foi indiciado por feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver. Silvana de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, não são vistos desde 24 e 25 de janeiro

Foto: Cristiano Domingues Francisco segue preso preventivamente. Renan Mattos / Agencia RBS
24 de abril de 2026

O policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, suspeito de matar três integrantes da mesma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, usou uma ferramenta de inteligência artificial para simular a voz de Silvana de Aguiar, sua ex-companheira que está desaparecida desde final de janeiro.

Nos áudios, ele simula a voz de Silvana para atrair os pais dela, Isail, 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70.

Segundo a polícia, ele matou ambos depois de atraí-los com um falso pedido de ajuda de Silvana. A mulher já estava desaparecida quando ele enviou os áudios.

Um dia depois do sumiço dela, os pais receberam uma ligação do celular de Silvana informando que ela havia sofrido um acidente em Gramado, na Serra. No momento da ligação, ambos os celulares, de Silvana e de Cristiano, estavam na região de Gravataí.

Na manhã daquele dia, foi realizada uma postagem do celular da Silvana informando sobre o acidente, mas o inquérito constatou que, nesse momento, esse celular estava na região geográfica da casa de Cristiano.

Confira a transcrição:

Oi mãe, oi pai, é a Silvana, cheguei bem em casa, mas dei um probleminha aqui em casa, um fio de luz entrou em curto aqui na sala de casa e quase pegou fogo, pede para o pai vir aqui em casa me dar uma ajuda, será que o pai consegue vir aqui me dar uma ajuda rapidinho?

É coisa rápida, mas eu sozinha não consigo cortar o fio, é só cortar o fio mesmo pouca coisa ele está para fora da parede, só para não dar choque mesmo que daí amanhã já resolvo, só trazer um alicate para cortar o fio e já está bom. Só um alicate mesmo.

Eu tomei uma água com limão, mas acho que estava muito gelada. Mas está tudo certo, sim. Está bom. Tchau.

Pode deixar que eu ligo para ele para falar sobre isso. Mas pode entregar, sim. Amanhã resolvo. Deixa eu arrumar esse negócio da luz primeiro. O pai não conseguiu resolver aqui. Daí o Cristiano vai arrumar. Eu liguei para ele. Pois foi ele quem tinha feito essa elétrica. Daí ele vai pegar uns fios de luz que tem sobrando na peça das ferramentas. O pai explicou pra ele onde tá.

Daí o Cristiano tá indo aí agora pra pegar. Pode alcançar pra ele que ele tá ajudando nós. Pode ficar tranquila que ele tá indo aí.

A mãe, eu não quero saber de picuinha. Só quero que ele resolva isso aqui. E deu, o pai tem que ir pra casa também.

Tá, deixa então, não precisa ajudar, eu me viro sozinha. Tem mais é que pedir para os outros estranhos ajudar mesmo, porque os de casa não podem… Meu telefone está travando muito, eu mexi de tarde. Num aplicativo, daí ficou bem ruim. Vou ter que levar para arrumar, está trancando muito.

Está muito ruim de falar nele. Mãe, eu me acidentei no carro de uma amiga. Eu fui dar uma volta com ela e capotou o carro. Estamos no hospital.

Indiciamento

A investigação apontou que seis pessoas são suspeitas de cometerem nove diferentes crimes. O inquérito policial indiciou Cristiano por feminicídio contra Silvana e dois homicídios contra Isail e Dalmira — além dele, outras cinco pessoas foram indiciadas.

Suposta asfixia e casa de Silvana usada para duas mortes

Cristiano Domingues Francisco foi indiciado por feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver, no caso envolvendo a família Aguiar. Ele responde pelas mortes da ex-mulher, Silvana Aguiar, 48, e dos ex-sogros, Dalmira German Aguiar, 70, e Isail Aguiar, 69.

— Ele matou o casal para encobrir os rastros do crime da Silvana — afirma o delegado Anderson Spier, diretor da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (1ª DPRM).

A investigação apontou que pai e filha foram mortos na mesma residência: a casa de Silvana. O Fox vermelho, que nunca foi encontrado foi usado para transportar e tirá-los da cena do crime. Silvana foi morta entre 21h28min e 21h45min do dia 24. Isail, assassinado na mesma casa, entre as 16h28min e 16h48min do dia 25.

Já Dalmira, a mãe, foi morta no imóvel anexo ao minimercado. A polícia não conseguiu precisar como Cristiano a retirou do local do crime. Ele tinha as chaves do imóvel.

Os corpos das vítimas ainda não foram localizados. Por isso, a polícia não consegue afirmar exatamente como eles foram mortos.

Amigo e familiares coniventes e indiciados

Outras cinco pessoas também responderão criminalmente: um amigo, a esposa, a mãe e a sogra de Cristiano. Conforme a polícia, todos trocaram mensagem e sabiam do crime desde o começo das investigações. Já Cristiano premeditou as mortes.

– Existem evidências periciais de que ele começou a elucubrar a prática do crime 30 dias antes – detalha o delegado Anderson Spier.

  • Milena Ruppenthal Domingues, mulher de Cristiano: fraude processual, furto (teria levado TVs da casa de Silvana), ocultação de cadáver e organização criminosa
  • Wagner Domingues Francisco, irmão de Cristiano: fraude processual e ocultação de cadáver
  • Paulo da Silva, amigo: fraude processual e associação criminosa
  • Maria Rosane Domingues Francisco, Mãe de Cristiano: fraude processual e associação criminosa
  • Ivone Fantini Ruppenthal, Sogra de Cristiano: fraude processual e associação criminosa

O que dizem as defesas

Cristiano Domingues Francisco:

“A Defesa de Cristiano aguarda o encaminhamento do inquérito, sendo que, pela finalização das investigações, deverá ter acesso amplo e irrestrito a todos os procedimentos cautelares que se encontram em segredo de justiça, possibilitando um posicionamento mais assertivo.”

Milena Ruppenthal Domingues (mulher de Cristiano), Paulo da Silva (amigo de Cristiano), Maria Rosane Domingues Francisco (mãe de Cristiano) e Ivone Ruppenthal (sogra de Cristiano):

“A defesa de Milena, Paulo, Maria Rosane e Ivone informa que, ao longo do regular trâmite processual, será devidamente demonstrada — com a garantia do contraditório e da ampla defesa — a inocência dos envolvidos, bem como a fragilidade dos indícios apresentados no inquérito policial.

Ressalta-se, ainda, que serão levadas ao conhecimento do Poder Judiciário as irregularidades ocorridas durante a investigação, somadas a eventuais abusos praticados, os quais serão oportunamente apurados pelos meios legais cabíveis.

A defesa reitera sua confiança na Justiça e no devido processo legal, certos de que os fatos serão esclarecidos de forma técnica e fundamentada.

Declaram-se absolutamente inocentes das acusações.”

Wagner Domingues Francisco (irmão de Cristiano):

A Defesa técnica de WAGNER DOMINGUES FRANCISCO, com o senso de responsabilidade que o momento exige, vem a público manifestar-se acerca do Inquérito Policial que apura as circunstâncias envolvendo o desaparecimento da família Aguiar, no município de Cachoeirinha/RS.

A Defesa tomou conhecimento, exclusivamente por intermédio da mídia e de coletiva de imprensa, da existência de 37 medidas cautelares, além de buscas, apreensões e indiciamentos, sem que lhe tenha sido assegurado, até o presente momento, acesso aos respectivos expedientes, circunstância que impede o pleno conhecimento das teses investigativas.

Importa destacar que as imputações até então divulgadas consistem, neste estágio, em meras hipóteses investigativas, ainda não submetidas ao contraditório, sendo o inquérito policial, por sua natureza, procedimento de caráter unilateral.

Reitera-se, por fim, que WAGNER DOMINGUES FRANCISCO sempre esteve, e assim permanecerá, à inteira disposição das autoridades. A Defesa aguarda o acesso integral aos elementos de prova para manifestação oportuna e aprofundada, confiante de que o devido processo legal conduzirá ao pleno esclarecimento dos fatos, com a consequente demonstração de sua inocência e a prevalência da Justiça.”

Desaparecimento em Cachoeirinha

Silvana de Aguiar e os pais, Isail e Dalmira, não são vistos desde o final de janeiro

24 de janeiro

Silvana é vista pela última vez

  • Mulher publicou post nas redes sociais dizendo ter sofrido um acidente de trânsito
  • Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu

Polícia Civil/Divulgação

25 de janeiro

Pais de Silvana desaparecem

  • Alertados por vizinhos, Isail e Dalmira saem para procurar a filha
  • Mercado da família fechou e não voltou a abrir desde então

Bruno Todeschini/Agencia RBS

27 e 28 de janeiro

Desaparecimentos são registrados

  • Ex-marido de Silvana, o policial Cristiano Domingues registra ocorrência sobre o sumiço dela
  • Familiar também informa sobre o desaparecimento dos pais de Silvana
  • Imagens de câmeras de segurança registram Cristiano na casa dos ex-sogros
  • Em depoimento, homem alegou ter ido buscar comida para cães e gatos

Reprodução

10 de fevereiro

Cristiano é preso temporariamente

  • Quebra de sigilo telefônico indicou movimentação suspeita do ex-companheiro de Silvana
  • Policial militar foi afastado do serviço
  • Corregedoria da Brigada Militar acompanha investigações

Ronaldo Bernardi/Agencia RBS

13 e 18 de fevereiro

Polícia encontra celular e amostras de sangue

  • Telefone encontrado em terreno próximo é de Silvana
  • Sangue localizado na casa da desaparecida pertence a duas pessoas, um homem e uma mulher

19 de fevereiro

Suspeito fica em silêncio durante depoimento

  • Cristiano foi ouvido uma vez como testemunha e duas vezes como suspeito ao longo do inquérito

Renan Mattos/Agencia RBS

23 de fevereiro

Polícia descarta luta corporal

  • Sangue encontrado em pequenas quantidades indica que não houve confronto na casa de Silvana

27 de fevereiro

Buscas

  • No final de fevereiro, a polícia começou a fazer buscas pelas vítimas em áreas de mata e rios da Região Metropolitana.

28 de março

Novos investigados

  • Três pessoas ligadas a Cristiano passaram à condição de suspeitas, pois estariam atrapalhando as investigações, segundo a polícia.

9 de abril

Prisão preventiva

  • Justiça decreta prisão preventiva de suspeito do desaparecimento de família em Cachoeirinha

17 de abril

Inquérito concluído

  • Polícia Civil indicia Cristiano por feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáveres

Bruno Todeschini/Agência RBS

Fonte : GZH 
Foto : Renan Mattos / Agencia RBS

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