Apesar do superávit, fluxo de caixa do Inter traz preocupações: "Proporcionalmente ficou muito para trás" - Agora Já -

Apesar do superávit, fluxo de caixa do Inter traz preocupações: “Proporcionalmente ficou muito para trás”



Contas da temporada 2025 foram aprovadas com ressalvas pelo Conselho Fiscal

Foto: Inter vive situação financeira delicada. Renan Mattos / Agencia RBS
5 de maio de 2026

Aprovadas com ressalvas pelo Conselho Fiscal, as contas do Inter requerem atenção. Apesar do balanço financeiro do ano passado ter apresentado superávit de R$ 8,9 milhões — ponto de divergência —, a situação geral da saúde financeira do clube requer cuidado.

O principal sinal de alerta recai em um fluxo de caixa mais baixo do que o necessário. As receitas recorrentes não são suficientes para cobrir os custos do clube. A injeção de valores extraordinários, como a venda de jogadores, foram essenciais para o resultado financeiro em 2025. O endividamento colorado segue elevado, mas caiu de R$ 978 milhões para R$ 939 milhões.

A receita líquida em comparação ao ano anterior cresceu 27,9%. O custo na operação apresentou elevação de 8%. Em números brutos, ficou R$ 437,2 milhões contra R$ 396,8 milhões. Um saldo negativo de R$ 40,4 milhões.

— O clube precisa buscar fontes de receita e resultados que sejam recorrentes. Além disso, que consiga manter isso ao longo do tempo. No curto prazo, que é o que a gente está olhando quando fala de liquidez, o objetivo principal é buscar operações, como venda de jogadores ou algum outro ativo — avalia Gustavo Machado, economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais.

Expansão da marca

A dívida de curto prazo em 31 de dezembro era de R$ 606 milhões. Em uma outra perspectiva, para cada R$ 1 devido pelo Inter, o clube teria R$ 0,30 no caixa.

— Se o clube não gerar caixa suficiente e não pagar alguma obrigação, vai minando a credibilidade e isso vai afetar os próximos negócios. Aí, o clube não consegue mais gerar caixa ou mesmo postergar despesas. E aí ele entraria numa questão de insolvência e, enfim, aí seria o caso mais caótico — complementa.

Com uma outra visão para o problema, Amir Somoggi, consultor da SportsValue, empresa especializada em marketing esportivo, analisa como difícil a situação financeira do Inter, mas considerou o balanço de 2025 como positivo.

Para ele, o Inter precisa romper os limites do Rio Grande do Sul para potencializar as suas receitas. No momento, tanto colorados como gremistas estão estagnados em relação à concorrência. As receitas precisam crescer ainda mais.

— O Inter não está engajando tanto nas redes sociais. Não é um clube que chama muita atenção. (Mas as receitas comerciais dele foram altas em 2025. Quando você vai para Palmeiras, Flamengo, São Paulo, Corinthians, o Inter vai ter que crescer em receita para poder gastar mais. Não é que o Inter não está crescendo, mas ele proporcionalmente ficou muito para trás — explica.

Uma das chaves apontadas é um posicionamento de clube com projeção nacional. A exploração de contrações que causem um impacto que vai além do esportivo são vistas como essenciais para o aumento da receita. O engajamento nas redes sociais coloradas é visto como baixo.

— A expansão de marca é o único jeito do clube poder crescer. Porque os clubes já gastam muitas vezes com jogadores que são bons para  ganhar um título em campo, mas e no marketing?  Quanto mais storytelling você cria, mais você cria reverberação para sua marca — destaca.

A ressalva do Conselho Fiscal

O tratamento contábil apresentado no balanço foi contestado pelo Conselho Fiscal. A divergência refere-se à recompra de participação em direitos comerciais referentes à Liga Forte (LFU).  Foi adotado tratamento contábil alinhado à orientação técnica do condomínio da LFU.

O clube recomprou direitos por R$ 109 milhões e os registrou como ativo intangível.

O parecer aponta que a análise da operação deixou de reconhecer, no resultado, o correspondente efeito econômico da operação, considerando a medida uma “assimetria de tratamento contábil”, pois vê na medida reversão de uma operação anterior.

As contas serão apreciadas pelo Conselho Deliberativo em 11 de maio.

Fonte : GZH 

Foto : Renan Mattos / Agencia RBS


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