Foto: Mandato de Alessandro Barcellos encerra no fim do ano.
Renan Mattos / Agencia RBS
Não é novidade que o Inter vive um momento delicado financeiramente, que reflete dentro de campo. A equipe foi para a parada da Copa com um ponto de distância da zona de rebaixamento do Brasileirão. Mesmo assim, o clube considera que avançou em questões importantes e conseguiu aumentar a captação de receitas em relação aos últimos anos.
A atual gestão coloca o superávit apresentado no balanço do ano passado como uma conquista. Pelo menos, essa é a visão do presidente Alessandro Barcellos, que foi entrevistado para o canal do Inter no YouTube na sexta-feira (12), abordando diferentes assuntos, como as finanças do clube.
O presidente também falou sobre a postura do Inter na janela de transferências na busca por reforços. A prioridade é a busca por um zagueiro e Barcellos já disse que não se trata de Dantas, do Novorizontino. Na mesma resposta, em entrevista ao Sala de Redação, da Rádio Gaúcha, negou interesse do Krasnodar, da Rússia, em Carbonero.
O Inter na busca por contratações
Com a meta de R$ 200 milhões em vendas de jogadores para 2026, o clube gaúcho terá de negociar atletas já na metade do ano, principalmente para viabilizar a chegada de reforços, que são pedidos por Paulo Pezzolano. Na linha de diminuir o endividamento, também não serão feitos investimentos altos, por mais que Barcellos diga que o time não perderá a competitividade.
— Nós vamos fazer, dentro daquilo que é possível, o melhor, para que a gente melhore o grupo, sem que a gente perca esta condição importante de início de retomada da redução do endividamento e da viabilidade. Eu diria muito mais do dia a dia do clube, do fluxo de caixa que nos aperta, da questão imediata, para que a gente possa trazer para o clube um ambiente melhor para o futuro — comentou o presidente do Inter.
A postura do Inter na janela não será de “extremos”. Ou seja, o clube não irá gastar valores elevados para trazer atletas de “lotar aeroporto”, mas também não ficará sem reforçar o elenco com atletas competitivos.
— Buscar soluções, buscar saídas, mas sem tornar isso algo que transforme o clube em um grande balcão de negócios, com grandes contratações que lotem aeroporto e que a gente não consiga depois ter a capacidade de honrar com as dificuldades que a gente já tem hoje — concluiu.
A prioridade é contratar um zagueiro. Segundo o colunista de Zero Hora e comentarista identificado com o Inter, Vaguinha, a negociação está bem encaminhada, mas sem o vazamento do nome. Outra situação em andamento é por um meia que pode atuar em diferentes posições e que já foi titular de grandes equipes do futebol brasileiro.
Como estão as finanças do Inter
A dívida colorada está na casa dos R$ 939 milhões, segundo as contas de 2025, um valor abaixo dos R$ 978 milhões apontados em 2024. O presidente lembrou que a enchente impactou de forma rigorosa no aumento da dívida.
— Nós tivemos um ano de 2025 muito desafiador para que a gente pudesse recuperar parte daquilo que foi perdido em 2024. E foi possível reduzir a dívida. Um passo inicial muito pequeno, mas importante, no sentido de reverter uma tendência de aumento da dívida — explicou.
Um ponto valorizado pelo clube é o aumento da receita. Em 2025, o valor chegou a R$ 780 milhões, o que representou um crescimento de 26% e foi fundamental para chegar ao superávit de R$ 8,9 milhões.
A dívida caiu em apenas 3,9% após um ano em que cortes severos de gastos foram feitos. O caminho para reverter o cenário é longo, com a possibilidade de ser encurtado por meio de venda de atletas, etapa em que a base aparece como fundamental, e por meio de premiações altas a partir de bons desempenhos em competições, algo mais distante no momento.
O debate sobre SAF
Assim como nos demais clubes do futebol brasileiro em que a situação financeira apertou, o debate sobre SAF já existe entre alguns torcedores do Inter. Alessandro Barcellos pede cautela sobre o tema, mas afirma que o clube precisa competir em meio a modernização do futebol.
— Precisa se transformar em uma SAF para ser moderno? Nós não podemos transformar uma associação em um modelo moderno? Esse debate, esse desenho, esse estudo, o Internacional iniciou no final do ano passado. Pretendemos estar concluindo e levando ao Conselho, ainda no próximo mês, se possível, ainda no mês de junho, ou mais tardar, início de julho com sugestões e com trabalho feito a várias mãos — disse Barcellos, que seguiu:
— Hoje se fala muito que SAF é a solução para tudo. A gente está vendo SAFs que não deram certo, estamos vendo SAFs que deram certo. Qual SAF? Que modelo de SAF? É necessário? E temos clubes associativos que estão ponteando a tabela, é o caso do Flamengo, o próprio caso do Palmeiras, que a gente pode falar de um modelo mais híbrido, com um investimento forte e pessoas investindo, grupos investindo. Mas são modelos que não são SAF. Então, existem soluções diferentes para o modelo de clube.
Foto : Renan Mattos / Agencia RBS