Mãe denuncia ameaça a filho de 3 anos em escola militar no RS: 'Chora com vontade, senão vou te dar um tiro' - Agora Já -

Mãe denuncia ameaça a filho de 3 anos em escola militar no RS: ‘Chora com vontade, senão vou te dar um tiro’



O medo que a criança começou a demonstrar ao chegar na escola levantou um alerta em psicóloga de Porto Alegre, que decidiu colocar um gravador na mochila do filho para entender o que acontecia do portão para dentro. Caso está no MP gaúcho.

Foto: Diante do comportamento do filho, Shaiane tentou contato com a coordenadora da escola, mas conta que nunca recebeu acolhimento nem orientações — Foto: Arquivo pessoal
24 de junho de 2026

A psicóloga Shaiane Costa achou estranho quando o filho de 3 anos começou a acordar de madrugada, aos prantos, perguntando se tinha que ir para a escola no dia seguinte.

Causou desconfiança na mãe o fato da criança chorar rotineiramente no caminho para a Escola de Educação Tio Chico, em Porto Alegre. Mantida pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, a instituição atende gratuitamente filhos dos brigadistas com idades entre 2 e 6 anos.

Ela conta que Pedro, cujo nome foi alterado para preservar a criança, chegava em casa dizendo que havia ficado de castigo. Desculpava-se, com insistência, diante de qualquer situação. “Se ele derrubasse uma água, ele me pedia desculpas várias vezes”, diz. E começou a chorar muito ao se aproximar da escola.

Foi depois de mais um dia em que Pedro entrou pelo corredor da escola aos berros, pulando, “sendo levado”, sem que ela pudesse acompanhá-lo, que a situação chegou ao limite para Shaiane.

No dia seguinte, ela colocou um gravador dentro da mochila da criança.

No início, Shaiane disse que não tinha razões para se preocupar com a instituição onde seu filho passava algumas horas do dia.

Para chegar ali, a família esperou que ele completasse dois anos — pré-requisito para a matrícula — e passou por um processo seletivo, do qual ela desconhece os critérios de aceitação.

Passado o período comum de adaptação, Pedro foi se acostumando e começou a fazer amiguinhos.

Esporadicamente, algumas situações na escola incomodavam a mãe, como quando ele chegou com uma mordida no braço sem explicação.

“Perguntei se ele não avisou à professora [sobre a mordida] e ele disse que não, que ela estava ocupada cuidando de outros coleguinhas e por isso ele não quis falar”, conta ela.

“Fiquei sem entender. Como ninguém viu aquela mordida?”

 

Ao perguntar à professora, a mãe ouviu que ninguém viu o ocorrido e que o menino não havia chorado.

“Achamos estranho. Uma mordida daquelas deve ter doído, e é normal que a criança chore.”

Na mesma lista de situações que causaram estranheza à família do menino, está o dia em que ele voltou para casa com febre alta sem que ninguém houvesse avisado a mãe ou o pai, segue ela.

Um dia, Pedro chegou com uma assadura tão severa que ficou com dificuldade de caminhar pela casa.

Em nenhum desses episódios a escola demonstrou ter tomado conhecimento do ocorrido, de acordo com a mãe.

“Essas situações pequenas iam acontecendo e parecia que ninguém estava vendo”, diz ela.

As tentativas de contato com a escola, segundo a mãe, eram todas frustradas.

“Eu tenho vários registros de mensagens que eu tentava mandar para a professora, e ela sempre minimizando”, afirma. “Eu não tinha nenhum acolhimento da parte deles, era sempre ‘ah, isso aí acontece, é normal’.”

“Mandei mensagens para a sargenta, que é como se fosse a coordenadora da escola, e não tive retorno”, diz. “Eu ficava ali sendo ignorada.”

Com o passar dos meses, a mãe diz ter percebido que a primeira coisa que o filho perguntava ao acordar era se ele teria de ir para a escola. Diante da resposta positiva, ela diz, o menino permanecia a manhã toda em casa calado.

“Ele não brincava, não tinha aquela energia, não tinha disposição. Parecia que ele ficava a manhã inteira só esperando aquela hora [de ir para a escola] que ia ser um sofrimento.”

Sem diálogo com a escola e diante dos episódios duvidosos, Shaiane teve a ideia do gravador.

No dia em que ela colocou o aparelho na mochila do menino, ele voltou para casa rouco.


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